sábado, 29 de novembro de 2008

Contado entre os transgressores

Recebi já faz algum tempo, uma reflexão de meu grande amigo Emílio José da Silva, e pedi, na ocasião, permissão para publicar neste espaço o seu texto.
Devidamente autorizado, compartilho:

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“Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” Lucas 23.39-43

Quando o profeta Isaias teve a visão do sofrimento de Jesus, ele afirmou que este seria contado com os transgressores; levaria sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercederia.
“Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.” Isaías 53.12

E Jesus, conhecendo as Escrituras e sabendo que se tratava Dele, reafirmou esta profecia quando instruia os discipulos.
“Pois vos digo que importa que se cumpra em mim o que está escrito: Ele foi contado com os malfeitores. Porque o que a mim se refere está sendo cumprido.” Lucas 22.37

Jesus sabia que seria crucificado em meio a outros homens e que estes seriam criminosos. A prática da crucificação era aplicada pelo império romano, diferente dos judeus que aplicavam o apedrejamento.

Não havia motivo algum para Jesus estar ali, no meio daqueles criminosos, afinal Ele não havia cometido crime algum. O próprio Pilatos chegou a afirmar não encontrar culpa alguma em Jesus, mas sabemos que nos planos de Deus, para que a humanidade pudesse alcançar a redenção, seria necessário que Jesus fosse à cruz.
“Nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar. É, pois, claro que nada contra ele se verificou digno de morte.” Lucas 23.15

Neste episódio encontramos uma das cenas mais tristes e sofridas que o apóstolo João e os evangelistas relataram em suas narrativas. As últimas 24 horas da vida de Jesus foram aterrorizantes.
Angústia no Getsemani; prisão; açoites; escárnios; interrogatórios; zombarias; calúnias. O Senhor Jesus passou por tudo isso, antes de chegar à crucificação.

Primeira reflexão: ainda que saibamos o que Deus quer de nós e o que ele exige que passemos nesta vida para cumprir a sua vontade, estamos dispostos a suportar tudo o que o Senhor Jesus suportou por amor a Ele? O apóstolo Paulo dizia levar em si a marca de Cristo.

E então, quando Jesus é levantado na cruz, eis que dois outros homens, um à sua direita e outro à esquerda, igualmente crucificados como ele, são levantados também.

E ali estão agora, aqueles três homens com características tão distintas:
- Um deles, o Senhor Jesus, manso e humilde, dizendo para Deus perdoar os pecados daqueles soldados pois não sabiam o que estavam fazendo;
- O outro, um assassino cruel e incapaz de se arrepender de seus atos, zombador e interesseiro, tentando ao Senhor Jesus ao exigir-lhe que salvasse a si mesmo e a eles;
- Um terceiro, também criminoso, mas consciente de sua condição de pecado e reconhecendo quem era Jesus e o que Ele podia fazer em seu favor.

Segunda reflexão: o que cada um destes criminosos representa e com qual deles nos identificamos?

O primeiro criminoso, aquele que injuriava Jesus, representa a humanidade pecadora que, mesmo tendo conhecimento de Jesus, não o reconhece como Filho de Deus; como aquele que seria capaz de salvar os homens de seus pecados;

O primeiro criminoso é aquela pessoa que vê na pessoa de Jesus apenas uma forma de escapar dos problemas desta vida. Ele queria se ver livre da cruz e da sua condenação. Ele queria apenas que Jesus solucionasse seus problemas de ordem “material”.

Em nenhum momento aquele homem pensou que Jesus pudesse ser a solução para a vida eterna. Talvez ele nem acreditasse na possibilidade de uma vida eterna. Ele queria voltar ao convívio social e desfrutar das coisas desta vida, e quem sabe até mesmo voltar à vida do crime.

Este criminoso representa todo aquele que, tendo conhecimento de Deus, não o glorifica como Deus, nem lhe dá graças por nada; antes, seu raciocinio se torna fútil e seu coração insensato se obscurece.
“... porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato.” Romanos 1.21

Este criminoso representa a humanidade que se encontra morta por causa do pecado; representa todos os que estão distantes de Deus e que se encontram na condição de escravos do pecado.

O segundo criminoso, aquele que reconheceu Jesus como o Messias, o Salvador, representa todo aquele que, diante do conhecimento de Jesus, rende-se a Ele eo reconhece como Filho de Deus; o único que poderia trazer salvação ao ser humano

O segundo criminoso representa todas as pessoas, que mesmo na condição de pecadoras, mesmo tendo cometido crimes, podem alcançar a salvaçào de suas almas, quando reconhecem sua condição de pecado; e portanto de inimizade com Deus, e vêem que a solução é crer que o Senhor Jesus pode salvá-la.

Este criminoso entende que as consequencias do seu pecado o conduziram à cruz, e ele não poderia escapar desta condenação, mas ele também sabe que a vida não se resume somente a esta existncia. Ele crê numa segunda vida, após a morte. E deseja viver esta vida ao lado de Jesus. Por isso ele faz aquele pedido a Jesus: “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino... ”.
E então vemos a maravilhosa resposta de Jesus àquele homem: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”.

Oh, que maravilha. Aquele homem talvez não imaginasse que Jesus lhe faria tão grande promessa. Ele, que desejava fazer parte do reino de Deus, não só faria parte, mas naquele mesmo dia, estaria com o Senhor para sempre.

O segundo criminoso fez o que cada um de nós precisa fazer para alcançar a graça e a misericordia do Senhor: reconhecer que somos pecadores, inimigos de Deus e condenados à morte, não por sermos maus e fazermos o que é errado, mas por determinaçào de Deus, pois todas as pessoas, desde o momento em que nascem, estão sob a lei do pecado de Adão. E ninguém pode salvar-se a si mesmo. Precisamos de alguém que dê a sua vida em resgate da nossa. Jesus fez isso. Ofereceu-se como sacrificio pelos pecados de todos os que crerem Nele. E assim, como o criminoso, depois de reconhecer nosso estado de pecaminosidade, precisamos nos arrepender e entregar a nossa vida ao Senhor Jesus.

Jesus nem quis saber qual foi o crime que aquele homem havia cometido. Ele simplesmente amou e perdoou aquele homem e, mais do que isso, lhe deu certeza de vida eterna (no paraiso).

Jesus não está nem um pouco preocupado em saber quais foram os pecados nos quais vivíamos no passado. O seu sangue é suficiente para apagar todos eles. E ele quer que voce creia que quando Ele foi crucificado, nós também fomos, pois Ele mesmo afirmou que quando fosse levantado, Ele atrairia todos a Ele.
“E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.” João 12.32

Assim, quando Ele foi crucificado, nós, os que cremos, tambem fomos. Quando Ele ressuscitou, nós, os que cremos, também ressuscitamos e estamos com Ele nos lugares celestiais. E quando partirmos desta vida, o encontraremos no paraíso, como o criminoso o encontrou.

Glórias a Deus por tão grande salvação. Deus planejou tudo perfeitamente. Não há falhas nos seus planos.

Estamos crucificados com Cristo, assim como os dois criminosos estavam, mas o que faremos? Agiremos como o primeiro que menosprezou o Senhor Jesus, ou nos renderemos a Ele como fez o segundo? Que o Espírito Santo lhe ajude a tomar a decisão certa, como fez o criminoso que reconheceu Jesus como seu único e suficiente Salvador.

domingo, 23 de novembro de 2008

O sermão de um pai, e o conselho de um sogro

Recentemente tanto meu pai quanto meu sogro completaram 72 anos.
Dedico esta reflexão para relembrar dentre muitas histórias as duas que são as minhas prediletas.

Relembrarei aqui a que eu considero como a melhor história que meu pai já me contou.
Relembrarei aqui o melhor conselho que meu sogro me deu e os efeitos deste conselho na minha vida.


Começarei pelo meu pai.

Desde pequeno, sempre que amigos nos visitavam, eu gostava de ouvir as conversas ao redor da mesa.

E nestes anos todos, esta história que vou lhes contar, eu já ouvi muitas vezes.

E em todas as vezes que ouço, eu gosto muito de ouví-la.
E definitivamente é a melhor história de meu pai.
Uma lembrança inesquecível que ouvi pela primeira vez quando eu era bem menino, e se for impreciso nos detalhes, pouco me importa, o que desejo relembrar é a mensagem da lembrança.

Há muitos anos atrás, quando meu pai já era casado, um dia ele estava se arrumando para ir ao culto da sua igreja, quando ouviu uma voz que disse “José...”.
Meu pai chamou pela minha mãe que estava noutra peça da casa e ela lhe disse que não o tinha chamado.
Logo meu pai lembrou da experiência de Samuel relatada no Velho Testamento.

Passado um tempo, novamente ouviu a mesma voz “José...”.
Meu pai disse então as mesmas palavras de Samuel “Fala Senhor, que o teu servo ouve” 1 Samuel 3.10

A voz lhe disse: “Te prepara que no domingo você irá pregar o sermão na igreja”.
Meu pai que raramente era convidado a falar, disse para a voz que não iria pedir a palavra, nem nada.
A voz insistiu: “Te prepara que no domingo você irá pregar o sermão”.
Meu pai se preparou, estudou, fez o esboço, reviu, refez, orou, e no dia em questão já tinha remoído o assunto muitas vezes.

Na véspera quando estava arrumando a gravata disse para minha mãe: “Hoje eu vou pregar o sermão”.
Minha mãe achou altamente improvável que ocorresse.
Meu pai insistiu e lhe afirmou que não iria pedir para falar, mas que ele tinha certeza que o sermão daquele dia seria ministrado por ele.

Ao chegarem ao culto, a liturgia foi se desenrolando...
E o meu pai lá sentado no banco como crente “comum”.
Na sua igreja os ministros e pastores sentavam no púlpito.
Os cânticos foram cantados e se aproximava a hora do sermão... Meu pai continuou em silêncio no seu banco.

Quando chegou à véspera da hora do sermão, o pastor anuncia que excepcionalmente naquela noite dividiria o tempo do sermão com meu pai... E que meu pai iniciaria falando a primeira meia-hora.

Eu menino, sempre fiquei imaginando a emoção de meu pai e minha mãe na ocasião.

Meu pai subiu no púlpito, abriu sua Bíblia e leu o versículo bíblico sobre o qual falaria.
Ao terminar de ler, o pastor que ficava assentado ao lado do púlpito do pregador, fechou sua Bíblia com estrondo e diz com impacto: “Acabou de roubar o texto que eu iria falar, agora que pregue sozinho todo o sermão!”.

Nas palavras de meu pai, ele já pregou o mesmo sermão outras vezes, mas nunca com a mesma autoridade e impacto quanto naquela noite.

E o texto do sermão...?
“Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Cristo?”
Esta pergunta sempre me acompanhou o pensamento...

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Conheci meu sogro quando tinha 10 anos de idade.

Iniciei meus estudos de clarinete com meu pai aos 9 anos, mas foi com meu sogro que terminei os meus estudos musicais.
E aos 10 anos de idade, após várias lições com meu futuro sogro, eu me vi tocando minha clarineta de 13 chaves na igreja que freqüentávamos.
Foram 17 anos tocando na banda e convivendo com meu sogro. Tempos deliciosos.

E lá pelas tantas, quando tinha 23 anos, me apaixonei pela sua filha, esta mesma que hoje é minha esposa.
Lá fui eu então, no estilo antigo, pedir “a mão” da filha em namoro.
E pedido daqui, aceite dali, eu muito envergonhado, meu sogro igualmente constrangido pela situação, eu lhe perguntei se tinha algum conselho ou recomendação quanto ao namoro...

Ouvi dele então o melhor conselho que um genro pode receber de seu sogro.

Sua frase me acompanhou por todos os 2 anos de namoro e 2 anos de noivado (e ainda me acompanha).
Mais tarde sempre que tinha alguma intimidade com sua filha, um beijo roubado, um abraço oferecido, a tentação de ultrapassar limites sempre surgia... Mas com ela vinham as palavras do conselho de meu sogro...

Eu sempre me controlava.
Casamos virgens.

Pretendo, quando o tempo certo chegar, passar o mesmo conselho para minha filha.
Qual foi o conselho...?
“Meu filho, o temor do Senhor é o princípio da Sabedoria...”.
Os anos se passaram, não penso mais neste texto bíblico quando beijo minha esposa, mas o aplico a diversas outras situações da minha vida. Conselho precioso.

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Realmente não sei se chegarei aos 72 anos.

Mas certamente um dia, num momento que Deus oportunizará, perguntarei a minha filha: “Filha, que farás de Jesus chamado o Cristo?”.

E noutra oportunidade, como um atleta numa corrida por revezamento passa o bastão para outro atleta que lhe sucederá, lhe direi: “Filha, o temor do Senhor é o princípio da Sabedoria!”.

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“E, respondendo o presidente, disse-lhes: Qual desses dois quereis vós que eu solte? E eles disseram: Barrabás. Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado.” Mateus 27.21-22

“O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução. Filho meu, ouve a instrução de teu pai, e não deixes o ensinamento de tua mãe.” Provérbios 1.7-8

sábado, 15 de novembro de 2008

A benção e a maldição

"Eis que hoje eu ponho diante de vós a benção e a maldição." Deuteronômio 11.26

"Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal." Deuteronômio 30.15

"Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência." Deuteronômio 30.19

Existem na Bíblia muitos versículos que exaltam a soberania de Deus, e que ensinam que nada, nem mesmo a queda de um fio de cabelo escapa ao controle soberano do nosso Deus.
Neste contexto não existe livre arbítrio.
O homem tem escolhas, mas estas escolhas não são livres, ou são determinadas pela natureza pecaminosa do homem ou operadas pelo Espírito Santo no nascido de novo, e em última análise em ambas as situações são decretadas por Deus.
Para ilustrar relembro apenas um versículo de muitos que poderiam ser citados:
"Quem poderá falar e fazer acontecer, se o Senhor não o tiver decretado? Não é da boca do Altíssimo que vêm tanto as desgraças como as bençãos? Lamentações 3. 37-38

Por outro lado existem na Bíblia também, muitos versículos que ressaltam as escolhas humanas, e que ensinam que o homem é responsável moral por aquilo que faz, pensa e deixa de fazer e será julgado e condenado por isto por Deus.
Neste contexto parece que existe livre arbítrio.
O homem parece que tem escolhas livres, pois somente sendo livre para escolher seria possível um julgamento justo por parte de Deus em relação ao que eles fazem, do contrário porque seriam julgados, uma vez que as escolhas em última análise não foram suas autonomamente falando?
Para ilustrar, além dos versículos com que abro esta reflexão, relembro apenas mais um de muitos outros que poderiam ser citados:
"Mas Cristo, como Filho sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até o fim." Hebreus 3.6

E agora? Como é que fica?
Temos uma contradição?
É possível conciliar soberania de Deus com responsabilidade humana?

Refletindo e lendo sobre estas questões, cheguei a três considerações que entendo serem as mais relevantes para mim.
Vou resumí-las em três palavras e depois vou explicar cada uma deles, no final direi a minha preferência.

São elas:
1. Rebeldia
2. Subordinação
3. Ignorância

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1.

A primeira consideração é aquela que dirá: Se Deus é soberano e faz as coisas como deseja, e me fez exatamente assim como eu sou, do que é que Deus está reclamando? Não faço exatamente o que ele decretou que eu fizesse? Por que sou responsável pelos meus atos se eles já estão todos determinados antes mesmo de eu nascer? Se Deus me mandar para o inferno será uma grande injustiça, isto sim...

As pessoas que pensam desta forma, recebem da Bíblia um retundante "cale a boca!".
Esta postura nem é permitida ao homem, e é considerada em si mesmo já uma rebeldia para com Deus.

Veja a resposta para este tipo de consideração no Velho Testamento:
"Ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou a tua obra: Não tens mãos?" Isaías 45.9

Veja a resposta para este tipo de consideração no Novo Testamento:
"Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Portanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição." Romanos 9.19-22

2.

A segunda consideração é aquela que dirá: Não existe livre arbítrio! O homem é responsável! Mas a responsabilidade moral do homem não viria do fato de suas escolhas serem livres ou não, mas a responsabilidade moral do homem viria do fato de que ele está subordinado ao seu Criador e o Criador determinou que irá tomar contas do homem. A responsabilidade portanto vem do fato de o homem, como criatura, ter que responder à alguém. Assim o homem é responsável pois responde ao seu Criador, e está subordinado para com Ele. Responsabilidade então não teria nada relacionado com liberdade de escolha, mas sim com subordinação e para com o fato de se ter que responder a alguém maior.

Veja um exemplo que mostra que o homem não tem livre arbítrio no Velho Testamento:
"(Acerca de Senaqueribe, rei da Assíria) Porventura não ouviste que já há muito tempo Eu fiz isto, e já desde os dias antigos o tinha formado? Agora porém o fiz vir, para que tu fosses o que destruísse as cidades fortificadas e as reduzisse a montões de ruínas." Isaías 37.26

Veja um exemplo que mostra que o homem é responsável moral pelo que faz no Novo Testamento:
"De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus." Romanos 14.12

3.

A terceira consideração é aquela que dirá: Não existe livre arbítrio! O homem é responsável! Mas como isto é possível? Não sei! O que se sabe é que Deus é santo (ponto). Ao mesmo tempo Deus é justo e ninguém irá ao inferno imerecidamente (ponto). Ao mesmo tempo o homem é responsável pelo que faz, pensa e deixa de fazer (ponto). Ao mesmo tempo as escolhas dos homens já estão determinadas antes mesmo que as escolham fazer (ponto). Como tudo isto se harmoniza? "Não sei", dirão os adeptos desta consideração, o que se sabe é que a Bíblia ensina tanto a responsabilidade humana quanto a predestinação soberana de Deus, agora como isto seria harmonizado... a lógica humana não daria conta de explicar. O homem é convidado a crer.

Veja um exemplo, no Velho Testamento, que mostra que Deus é santo:
"Porque eu sou o Senhor, que vos fiz subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus, e para que sejais santos; porque eu sou santo." Levítico 11.45

Veja um exemplo, no Novo Testamento, que mostra que Deus é justo:
"E ouvi outro do altar, que dizia: Na verdade, ó Senhor Deus Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos." Apocalipse 16.7

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Feitas as explicações, o que eu penso?
Eu não entendo ainda a consideração 2, apesar de achar no meu íntimo que nela temos o indício da resposta correta, mas estou no momento no grupo da consideração 3, ou seja, eu aceito o texto bíblico como ele é, e explico somente o que consigo:

- Deus é justo biblicamente falando.
- Deus é santo biblicamente falando.
- O homem tem escolhas, mas elas não são livres, biblicamente falando.
- O homem é responsável moralmente por suas escolhas, mesmo que já tenha sido criado para ser um vaso de desonra, mesmo que antes de nascer o seu nome já não esteja escrito no livro da vida.

Como isto é possível? Não sei.

Mas eu louvo o meu Deus pois que me colocou para escolha a benção e a maldição, mas sabendo que eu por mim mesmo (pecador miserável) não teria condições de escolher a benção, operou sobrenaturalmente no meu querer e me permitiu escolher corretamente.

Se a escolha foi "minha", então o que me salva não é Deus, mas a minha escolha.
Se o que me mantém fiel a Sua Palavra é a "minha" escolha, então o que me salva não é Deus, mas a minha capacidade de me manter fiel.

Fui eu que escolhi? Sim!
Mas esta escolha foi livre? Não!

"Porque Dele e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória pois, a Ele eternamente. Amém." Romanos 11.36

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Quando o certo vira errado e o errado certo

"Vós tendes dito: Inútil é servir a Deus: que nos aproveita termos cuidado em guardar os seus preceitos...?" Malaquias 3.14

É repetitivo ouvirmos coisas erradas ditas como certas, e coisas certas ditas como erradas.
Chega a dar nos nervos...

Poderia citar exemplos diversos:
- Virgindade é um absurdo...
- O normal é todos transarem com todos até acharem o parceiro ideal e então casar...
- Casam e ficam juntos enquanto forem felizes, depois separam... é normal e pronto...
- O sexo bíblico é apenas para a procriação, não pode ser feito por prazer...

Quanta bobagem...
Quem disse o que é normal e o que não é normal?
Quem estabeleceu os padrões de moralidade e ética?

Só existem dois caminhos: o padrão do homem e o padrão de Deus.

Aqueles que buscam viver um cristianismo bíblico entendem que o padrão bíblico é a Palavra de Deus.
Sendo Palavra de Deus é o padrão de Deus por excelência.
Assim...

O cristão preserva a pureza sexual antes do casamento para agradar a Deus pois está escrito: "Mas, quanto aos... fornicadores... a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte. Apocalipse 21.8

Ele não é um anormal por ser virgem, nem fica retardado por não ter relações sexuais até o casamento e nem terá problemas sexuais com sua futura esposa por ser inexperiente, se fosse assim eu seria louco varrido, e deveras infeliz com a minha vida sexual. Eu diria que é muito pelo contrário.

O cristão não é promíscuo e foge da prostituição e não acha normal todos transarem com todos, igualmente para agradar a Deus pois está escrito: "Assim, o que adultera com uma mulher é falho de entendimento; aquele que faz isso destrói a sua alma." Provérbios 6.32

O cristão que segue o padrão bíblico não se divorcia (exceto em situações especialíssimas), para agradar a Deus pois sabe que o seu Deus odeia o divórcio, pois está escrito "Porque o Senhor, o Deus de Israel diz que odeia o divórcio..." Malaquias 2.16

Mas uma das mais ridículas inversões de verdade em mentira é a de dizer que o sexo deve ser apenas para a procriação... se esquecem eles que o sexo é uma coisa criada e sendo criada foi criada por Deus, e Deus depois da criação da terra e do que nela existe, observou o que tinha feito, inclusive a capacidade sexual do homem e da mulher, e ele disse: "E viu Deus tudo quanto tinha feito e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto." Gênesis 1.2

O sexo estava entre aquilo que Deus tinha feito, e logo também "era muito bom".

O padrão bíblico é de que é possível sim ter-se relações sexuais sem que isto seja imoral, e o lugar para tal prática é no casamento entre um homem e uma mulher "Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne." Gênesis 2.24

Se o sexo fosse para apenas a procriação teria o apóstolo escrito que marido e mulher não devem ficar muito tempo sem fazê-lo pois isto traria com certeza tentações?
"Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicar-des ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás, não os tente pela vossa incontinência." 1 Coríntios 6.5

Imagine um casal já de 50, 60, 70 anos, onde a mulher já não é mais fértil? Então não poderão mais ter relações? Só mesmo para quem não entende as escrituras afirmar tal coisa, pois o apóstolo não diz acima que devem ajuntar-se constantemente, e que não devem ficar por muito tempo privados um do outro?

Se fosse correto dizer que o sexo é apenas para procriação, então estaríamos numa situação complicada pois pela incontinência sexual seríamos constantemente vítimas de Satanás pela tentação. Mas ainda bem que o apóstolo diz inspirado por Deus "... ajuntai-vos outra vez...".

E o que comentar do escritor em Provérbios quando diz alertando contra o adultério e incentivando que cada homem ame sua própria esposa?
"Bebe água da tua fonte, e das correntes do teu poço... sejam só para ti... seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade... os seus seios te saciem todo o tempo; e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente." Provérbios 5.15-19

Se é a mulher da mocidade, entendo que ele está me falando que agora a mulher que tenho já é mais velha, e não devo trocá-la por outra mais nova, mas que devo me alegrar com aquela que foi a mulher da minha mocidade, logo está falando de relações entre homem e mulher mais velhos não necessariamente fecundos.

E diz mais: "... os seus seios te saciem TODO O TEMPO...", e eu incluo neste tempo, o tempo da mocidade, o tempo da meia-idade e o tempo da velhice.

Para o cristão, que segue o padrão bíblico, o sexo é coisa boa e permitida, e sim, por prazer, e para todo o tempo enquanto durar o casamento, e é sim até que a morte os separe, embora eu reconheça que existem situações excepcionais de separação.

Este é o nosso padrão.
Longe de nós invertermos o certo em errado e o errado em certo.

Mas antes de terminar, fora disto o que existe?
Eu só vejo uma solução.

O que é certo, moral e ético seria uma construção do homem em períodos de milhões de anos evolutivos.
Mas isto é correto?
Se for, então não existe certo nem errado nem ético pois o padrão sendo uma construção ele pode evoluir para outros padrões, e sendo definido por homens, definitivamente não é um padrão absoluto.
Será sempre um padrão em construção.

Por exemplo: o homem pode ter definido o padrão de que o incesto é imoral, observando que sempre que pais e filhos tinham relações seus filhos eram em geral doentes e fracos, e assim o tabu-padrão teria se definido no passar dos anos.

Mas teimoso eu retruco...
... e se eu me precaver para não engravidar (através de métodos anticoncepcionais), então evito o que padrão procurou prevenir, assim estou livre para ser incestuoso? O incesto passaria a ser certo, uma vez que não permita que exista descendência da minha relação incestuosa?

Longe de nós todas estas imundices, pois está escrito "Maldito aquele que se deitar com a mulher de seu pai... Maldito aquele que se deitar com algum animal... Maldito aquele que se deitar com sua irmã... Maldito aquele que se deitar com sua sogra..." Deuteronômio 27.20-23

Se o padrão bíblico é falso, me digam aqueles que acham que o imoral é normal, me digam eles que padrão seguem?
Um padrão construído socialmente e historicamente?

Isto não é absolutamente padrão nenhum!

Se tudo é uma construção humana e social, então ninguém tem culpa de nada, nada é absolutamente errado nem certo, tudo não passariam de tabus que hoje são considerados errados mas amanhã, com a "evolução" dos padrões poderiam passar a serem certos.

Sacerdotes infiéis no antigo Israel, ouviram de Deus o que lhes aconteceria por causa da inversão de valores:
"Se não ouvirdes e se não propuserdes, no vosso coração, dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bençãos, e também já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o coração. Eis que reprovarei a vossa semente, e espalharei esterco sobre os vossos rostos, e esterco das vossas festas solenes; e para junto deste sereis levados." Malaquias 2.2-3

Difícil? Você consegue ler que se não seguimos o padrão bíblico, o próprio Deus é que mandará maldição sobre nós?
Você consegue ler que se não seguimos o padrão bíblico, o próprio Deus jogará esterco no nosso rosto...?

As pessoas de uma forma geral não conhecem a escritura, nem a ira de Deus, e preferem sim, os padrões politicamente corretos, preferem os padrões humanistas, onde o certo vira errado e o errado vira certo.

Que tratamento você prefere de Deus?
Que ele te salve e perdoe dos teus pecados?
Ou que ele jogue no teu rosto o esterco da tua própria pecaminosidade?

É bom que cada um reveja seus padrões e ajuste os mesmos aos padrões que Deus revela a todos pela simples leitura bíblica.