“Jesus... ... disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito. Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso?” João 3.3-9
Como pode ser isso?
Enquanto eu ainda aguardava a minha própria conversão, eu entre altos e baixos, nas minhas lutas contra a lei do pecado que em mim reinava, lia tudo o que podia sobre o Reino de Deus.
Eu buscava resposta para esta pergunta: Como pode ser isso?
Algumas conversões em especial me chamaram a atenção:
Blaise Pascal
Jó
Paulo
Sr. X
Blaise Pascal o grande gênio matemático, homem de mente científica e pragmática um dia teve um encontro com Deus e ao morrer, encontraram bordado na sua roupa um dizer que lembra este momento da sua vida:
“Ano da graça de 1654. Segunda-feira, 23 de novembro... ... Desde pelas dez e meia da noite até pelas doze e meia. Fogo. Deus de Abraão, Deus de Isaque, Deus de Jacó, não dos filósofos e dos cientistas.”
Jó um homem piedoso, que “... era homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal” (Jó 1.1) mas que apesar disto não conhecia a Deus pessoalmente, um dia depois de muito sofrer e ser testado por Satanás, devidamente autorizado por Deus para tal, tem um encontro com Deus se arrepende e revela:
“Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido... Antes eu te conhecia de ouvir falar, mas agora te vêem os meus olhos. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza.” Jó 42. 2-6
Paulo, perseguidor e apedrejador de cristãos, religioso perfeccionista, sai com homens para caçar e prender cristãos, encontra-se com Deus quando menos imaginava:
“E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão.” Atos 8.3
“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor... ... indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues... ... E ele, tremendo e atônico, disse: Senhor, que queres que eu faça?... E os homens, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.” Atos 9.1-7
O Sr. X, conhecido meu, e um dia “alá” “Forrest Gump”, saiu e começou a caminhar sem destino, como um fora de si, e virou andarilho, sujo, barbudo, se alimentando de favor e de revirar lixo. Um dia estava ele e outro mendigo andarilho discutindo na beira do asfalto, pasmem, sobre a existência ou não de Deus. Ele defendia, e o outro negava, num intervalo da conversa o Sr. X, pergunta para os seus pensamentos “Senhor se tu existes mesmo, te manifestes agora...”. Não tinha nem acabado de falar, e teve a sensação de supetão ser elevado a uns 15 metros de altura onde ouviu uma voz que lhe disse “Tu és o X, e tu és meu!”, no instante seguinte “voltou” ao chão, voltou a si, e perguntou ao outro colega, o que tinha ocorrido, o outro disse “Nada, estávamos discutindo sobre Deus e tu de repente desmaiasses, e eu estava tentando te fazer voltar...”. No mesmo dia Sr. X parou de caminhar e foi contratado como auxiliar de pedreiro. Nunca mais mendigou, quando eu o conheci já era pedreiro, casado e pai de uma filha mais ou menos da idade da minha.
Conversão!
Não quero aqui fazer apologia a experiências fabulosas.
A minha própria experiência que relatei no blog anterior, nada teve de fabuloso, mas houve mudança sobrenatural, houve conversão.
Mas reconheço que o novo nascimento sempre vem de alguma forma acompanhado de um choque emocional “incluído no pacote”.
Nunca ouvi vozes, nem tive visões, nem nunca vi o Senhor pessoalmente.
Mas Deus opera de forma multiformes, e um dia Ele me alcançou.
Não quando eu queria, mas quando Ele assim desejou.
“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer...” João 6.44
Você já se encontrou com Deus?
Já foi liberto do pecado, ou ainda és escravo dele?
Busque a Deus, procure ler a Sua palavra revelada na Bíblia, confie Nele e o resto no tempo certo Ele fará.
Mas e enquanto isto, o que eu faço?
Lembre-se que Jó já era temente a Deus e seu servo, mesmo antes de conhecê-lo pessoalmente. Jó só conhecia ao Senhor de ouvir falar de outros, e veja o que mesmo assim Deus diz a respeito dele:
“E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal.” Jó 1.8
Aproxime-se de Deus e busque conhecê-lo, se você assim o fizer, o próprio Deus é que lhe moveu a isto, pois:
“Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” Filipenses 2.13
domingo, 30 de março de 2008
sexta-feira, 21 de março de 2008
Bendita Páscoa
Faz já um ano, mais ou menos na mesma época que eu ouvi o Sermão da Páscoa. Depois disto eu já o reli várias vezes.
A pregação deste sermão, destruiu de vez o meu eu.
Quisera eu que a minha conversão tivesse sido acompanhada de sinais caindo do céu, fogo queimando sem queimar em sarças ardentes... ... mas ela não foi.
A minha conversão foi um processo. Foi digamos uma gravidez.
Que se iniciou a muitos anos atrás.
A pregação do cristianismo sempre me impressionou. Mas eu nunca mudava. No secreto eu sabia o quão malévolo eu era.
E por mais que eu “aceitasse” a Jesus como Salvador e Senhor... eu nunca mudava, sempre voltava ao velho “vômito”, sempre voltava ao velho “eu”.
Quando eu conheci o Evangelho, e me decepcionei totalmente com o cristianismo humanizado, eu tive a certeza que tinha achado a verdade.
Me apaixonei pelo Evangelho, me considerei nocauteado pelo Evangelho e parte desta história eu já contei em outro blog que eu chamei de “A história de um nocaute”. Mas mesmo assim eu não mudei instantaneamente.
Foi um processo lento. Foi um parto difícil.
Mas um dia eu tinha que “sair do ventre”, um dia eu tinha que “vir a luz”.
E este dia foi o dia em que eu ouvi o Sermão da Páscoa.
Neste dia depois de um longo processo digamos de concepção e maturação, neste dia eu nasci.
Por que eu sei que foi neste dia? Por que eu mudei.
Mudei “sem querer” mudar.
Mudei “sem querer querendo”.
Uma igreja pequena. Poucas pessoas, não mais que setenta. Uma liturgia simples. E um pregador notável.
Depois uma amiga me disse que o reverendo em questão não pregava de improviso ou através de esboço, me disse que ele lia o sermão. Confesso que no dia não percebi, pois ele pregava como se estivesse falando espontaneamente. Pedi uma cópia do sermão. Ofereço a vocês para leitura logo após esta reflexão.
Foi uma pregação que “acabou” comigo.
Sentado no fundo da igreja, como de costume, fui ouvindo e apanhando aos poucos.
Deus quis que o sermão fosse acompanhado neste dia do trabalho do poder do Espírito Santo em me convencer sobrenaturalmente (pois racionalmente eu já estava) do pecado, da justiça e do juízo. Foram duas coisas sincronizadas: a palavra do pregador com a atuação sobrenatural do Espírito Santo.
A medida que eu ia ouvindo, ia soprando para não chorar (quando estou prestes a chorar eu costumo soprar e respirar forte para conter a lágrima).
E o sermão foi chegando ao fim, e o meu sopro já não adiantava.
Mas era uma igreja onde as pessoas normalmente não choram, e eu não queria dar escândalo.
Quando o pregador terminou o sermão e pediu que as pessoas ficassem em pé, eu já não me agüentava... ... no último banco que estava de um safanão, me levantei, dei três largos passos para fora da igreja virei para o canto escuro onde ninguém passava e chorei amarga e compulsivamente.
O bastão cósmico de Deus tinha me acertado no meio da testa.
O olhar de Jesus tinha me alcançado.
“E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o galo cante hoje, me negarás três vezes. E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente.” Lucas 22.61-62
Alguém dirá, mas como tu sabes que tu nasceste de novo naquele momento, mesmo que tenha sido o final de um longo processo? Não pode ter sido uma emoção ligada ao tema da pregação em si?
Eu também a princípio achava assim, pois já tinha sido impactado por outras pregações antes desta.
Mas a diferença foi que eu mudei...
Na segunda-feira, até por hábito, voltei ao meu velho pecado que me caracterizava, e... tinha perdido a graça. O que antes me dava prazer agora era chocho, sem sabor. Foi a última vez.
Certamente que tenho cometido outros pecados desde então, pecados inconscientes, pecados para os quais ainda não me alertei, que nem sei que desagradam o Senhor, e por estes eu peço perdão diariamente nas minhas orações.
Mas aquele pecado em específico, que só eu sabia qual era (e minha esposa tinha alguma noção do que era), este nunca mais.
O Evangelho tinha me alcançado plenamente.
“Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê...” Romanos 1.16
Tinha deixado de ser escravo. Deixado de ser escravo do pecado, ou melhor da lei do pecado, que em mim reinava.
Passei a dizer não para o pecado, passei a resisti-lo, mas agora diferente de antes, agora eu sempre vencia e conseguia resistir. Antes até resistia por uns tempos mas depois voltava a ser o pecador de sempre. Antes altos e baixos, agora o pecado deixou de ser hábito. Cristo reina, não mais o pecado.
Boas lembranças estas que eu tenho ao reler o Sermão da Páscoa.
Bendita Páscoa.
Bendita salvação que nos é ofertada pela ação sobrenatural do Espírito Santo em nossas vidas pelo sacrifício do cordeiro pascal Jesus Cristo nosso Senhor.
Para os hebreus, a páscoa significou o fim da escravidão do Egito.
Para mim, a páscoa significou o fim da escravidão do pecado.
Queres ler o Sermão da Páscoa?
Feriadão... por que não?
É um texto longo (uma vez que foi uma pregação de cerca de 40 minutos).
É um texto pesado, que não tem “dó nem piedade” do orgulho humanista que há em cada um de nós antes de nos rendermos totalmente ao Evangelho.
Devidamente autorizado pelo seu autor, o publico em seqüência.
Que as bençãos da verdadeira Páscoa alcancem a todos os que me lêem, amigos, parentes, alunos e desconhecidos.
O Sermão da Páscoa
A pregação deste sermão, destruiu de vez o meu eu.
Quisera eu que a minha conversão tivesse sido acompanhada de sinais caindo do céu, fogo queimando sem queimar em sarças ardentes... ... mas ela não foi.
A minha conversão foi um processo. Foi digamos uma gravidez.
Que se iniciou a muitos anos atrás.
A pregação do cristianismo sempre me impressionou. Mas eu nunca mudava. No secreto eu sabia o quão malévolo eu era.
E por mais que eu “aceitasse” a Jesus como Salvador e Senhor... eu nunca mudava, sempre voltava ao velho “vômito”, sempre voltava ao velho “eu”.
Quando eu conheci o Evangelho, e me decepcionei totalmente com o cristianismo humanizado, eu tive a certeza que tinha achado a verdade.
Me apaixonei pelo Evangelho, me considerei nocauteado pelo Evangelho e parte desta história eu já contei em outro blog que eu chamei de “A história de um nocaute”. Mas mesmo assim eu não mudei instantaneamente.
Foi um processo lento. Foi um parto difícil.
Mas um dia eu tinha que “sair do ventre”, um dia eu tinha que “vir a luz”.
E este dia foi o dia em que eu ouvi o Sermão da Páscoa.
Neste dia depois de um longo processo digamos de concepção e maturação, neste dia eu nasci.
Por que eu sei que foi neste dia? Por que eu mudei.
Mudei “sem querer” mudar.
Mudei “sem querer querendo”.
Uma igreja pequena. Poucas pessoas, não mais que setenta. Uma liturgia simples. E um pregador notável.
Depois uma amiga me disse que o reverendo em questão não pregava de improviso ou através de esboço, me disse que ele lia o sermão. Confesso que no dia não percebi, pois ele pregava como se estivesse falando espontaneamente. Pedi uma cópia do sermão. Ofereço a vocês para leitura logo após esta reflexão.
Foi uma pregação que “acabou” comigo.
Sentado no fundo da igreja, como de costume, fui ouvindo e apanhando aos poucos.
Deus quis que o sermão fosse acompanhado neste dia do trabalho do poder do Espírito Santo em me convencer sobrenaturalmente (pois racionalmente eu já estava) do pecado, da justiça e do juízo. Foram duas coisas sincronizadas: a palavra do pregador com a atuação sobrenatural do Espírito Santo.
A medida que eu ia ouvindo, ia soprando para não chorar (quando estou prestes a chorar eu costumo soprar e respirar forte para conter a lágrima).
E o sermão foi chegando ao fim, e o meu sopro já não adiantava.
Mas era uma igreja onde as pessoas normalmente não choram, e eu não queria dar escândalo.
Quando o pregador terminou o sermão e pediu que as pessoas ficassem em pé, eu já não me agüentava... ... no último banco que estava de um safanão, me levantei, dei três largos passos para fora da igreja virei para o canto escuro onde ninguém passava e chorei amarga e compulsivamente.
O bastão cósmico de Deus tinha me acertado no meio da testa.
O olhar de Jesus tinha me alcançado.
“E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o galo cante hoje, me negarás três vezes. E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente.” Lucas 22.61-62
Alguém dirá, mas como tu sabes que tu nasceste de novo naquele momento, mesmo que tenha sido o final de um longo processo? Não pode ter sido uma emoção ligada ao tema da pregação em si?
Eu também a princípio achava assim, pois já tinha sido impactado por outras pregações antes desta.
Mas a diferença foi que eu mudei...
Na segunda-feira, até por hábito, voltei ao meu velho pecado que me caracterizava, e... tinha perdido a graça. O que antes me dava prazer agora era chocho, sem sabor. Foi a última vez.
Certamente que tenho cometido outros pecados desde então, pecados inconscientes, pecados para os quais ainda não me alertei, que nem sei que desagradam o Senhor, e por estes eu peço perdão diariamente nas minhas orações.
Mas aquele pecado em específico, que só eu sabia qual era (e minha esposa tinha alguma noção do que era), este nunca mais.
O Evangelho tinha me alcançado plenamente.
“Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê...” Romanos 1.16
Tinha deixado de ser escravo. Deixado de ser escravo do pecado, ou melhor da lei do pecado, que em mim reinava.
Passei a dizer não para o pecado, passei a resisti-lo, mas agora diferente de antes, agora eu sempre vencia e conseguia resistir. Antes até resistia por uns tempos mas depois voltava a ser o pecador de sempre. Antes altos e baixos, agora o pecado deixou de ser hábito. Cristo reina, não mais o pecado.
Boas lembranças estas que eu tenho ao reler o Sermão da Páscoa.
Bendita Páscoa.
Bendita salvação que nos é ofertada pela ação sobrenatural do Espírito Santo em nossas vidas pelo sacrifício do cordeiro pascal Jesus Cristo nosso Senhor.
Para os hebreus, a páscoa significou o fim da escravidão do Egito.
Para mim, a páscoa significou o fim da escravidão do pecado.
Queres ler o Sermão da Páscoa?
Feriadão... por que não?
É um texto longo (uma vez que foi uma pregação de cerca de 40 minutos).
É um texto pesado, que não tem “dó nem piedade” do orgulho humanista que há em cada um de nós antes de nos rendermos totalmente ao Evangelho.
Devidamente autorizado pelo seu autor, o publico em seqüência.
Que as bençãos da verdadeira Páscoa alcancem a todos os que me lêem, amigos, parentes, alunos e desconhecidos.
O Sermão da Páscoa
O Sermão da Páscoa
O Sangue da Páscoa
“E falou o Senhor a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo: Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família.” Êxodo 12.1-3
“E tomarão do sangue, e polo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem.” Êxodo 12.7
“Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor. E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o Senhor. E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito. E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo.” Êxodo 12.11-14
“E aconteceu, à meia noite, que o Senhor feriu a todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se sentava em seu trono, até ao primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais. E Faraó levantou-se de noite, ele e todos os seus servos, e todos os egípcios; e havia grande clamor no Egito, porque não havia casa em que não houvesse um morto.” Êxodo 12.29-30
Aqui temos o registro bíblico da instituição da Páscoa. Antes de tratarmos com a Páscoa em si, quero relembrar o contexto apropriado, considerando os eventos que levaram a ela.
Aproximadamente quatrocentos anos (antes da instituição da Páscoa), Deus disse a Abraão que seus descendentes seriam escravizados e maltratados durante um tempo num país estrangeiro, mas após isso Deus castigaria a nação onde eles serviram como escravos, e tiraria eles de lá e os levariam à sua própria terra (“...então, lhe foi dito: Sabe, com certeza, que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a gente a que têm de sujeitar-se; e depois sairão com grandes riquezas.” Gênesis 15.13-14).
De acordo com o plano e decreto de Deus, os filhos de Jacó, que tinham ciúmes do favor especial do pai deles para com José, venderam o seu irmão mais novo para o Egito.
Mas Deus guardou José, e ele foi elevado à posição mais alta no Egito abaixo de Faraó, para supervisionar as preparações para a fome que haveria de vir.
Quando a fome veio e as nações ficaram sem comida, elas vinham até o Egito para comprar deles. Jacó também enviou seus filhos para comprar comida, e eles foram reunidos com José. Como a fome continuaria por algum tempo ainda, Jacó e toda a sua família se mudaram para o Egito e foi-lhe dada um pedaço de terra como sua residência.
O Livro de Êxodo começa quando um novo Faraó se sentiu ameaçado pelo crescimento em número e prosperidade de Israel. Assim, ele os escravizou e então deu até mesmo ordens para matar os recém nascidos machos deles.
Mas então o povo de Israel clamou ao Senhor, que era fiel à sua promessa a Abraão, e o Senhor enviou Moisés para confrontar Faraó e tirar o seu povo do Egito.
Quando Deus chamou Moisés para essa obra especial, ele lhe disse que Faraó não deixaria o povo partir tão facilmente. Ou, de outra forma, podemos dizer que Deus não deixaria Faraó permitir tão facilmente. Ele disse: “Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas.” Êxodo 7.3.
Ele controlaria diretamente o coração de Faraó para desafiar o mandamento divino, mesmo diante dos desastres miraculosos que Deus enviaria contra a nação. Em outras palavras, Deus prolongaria deliberadamente a luta entre Faraó e Moisés para que acontecessem oportunidades adicionais para demonstrar seu poder à custa do Egito.
Isso foi assim para que ele pudesse glorificar a si mesmo, punir a nação do Egito, e induzir confiança no povo de Israel para com Deus e o seu servo Moisés.
Os capítulos 7 até 10 do livro de Êxodo exibem um padrão consistente. Moisés confrontaria Faraó e lhe pediria para deixar o povo de Israel partir do Egito para adorar ao Senhor. Faraó recusaria, e assim Deus enviaria uma praga contra a nação. Então, mesmo quando Faraó parecesse ceder, Deus controlaria seu coração e o endureceria novamente.
O relato de Êxodo declara repetidamente que é Deus quem endureceu o coração de Faraó :
Ø “Disse o SENHOR a Moisés: Quando voltares ao Egito, vê que faças diante de Faraó todos os milagres que te hei posto na mão; mas eu lhe endurecerei o coração, para que não deixe ir o povo” Êxodo 4.21
Ø “Porém o SENHOR endureceu o coração de Faraó, e este não os ouviu, como o SENHOR tinha dito a Moisés.” Êxodo 9.12
Ø “1 Disse o SENHOR a Moisés: Vai ter com Faraó, porque lhe endureci o coração e o coração de seus oficiais, para que eu faça estes meus sinais no meio deles, ...”; “20 O SENHOR, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não deixou ir os filhos de Israel.”; “27 O SENHOR, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não quis deixá-los ir.” Êxodo 10.1, 20, 27
Ø “Moisés e Arão fizeram todas essas maravilhas perante Faraó; mas o SENHOR endureceu o coração de Faraó, que não permitiu saíssem da sua terra os filhos de Israel.” Êxodo 11.10
Ø “4 Endurecerei o coração de Faraó, para que os persiga, e serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército; e saberão os egípcios que eu sou o SENHOR. Eles assim o fizeram.”; “8 Porque o SENHOR endureceu o coração de Faraó, rei do Egito, para que perseguisse os filhos de Israel; porém os filhos de Israel saíram afoitamente.” Êxodo 14.4, 8
Isso é evidentemente que Deus desejava enfatizar, para que ninguém chegasse a alguma outra conclusão.
Há somente alguns casos onde a linguagem parece sugerir que Faraó endurecia a si mesmo... “15 Vendo, pois, Faraó que havia descanso, endureceu o seu coração, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito.”; “32 Mas endureceu Faraó ainda esta vez seus coração, e não deixou ir o povo.” Êxodo 8.15,32; ... mas isso não é nada mais do que linguagem relativa, porém é claro que, mesmo nesses casos, é Deus quem endurecia ativamente a Faraó.
Por exemplo, Êxodo 9.34 diz: “Tendo visto Faraó que cessaram as chuvas, as pedras e os trovões, tornou a pecar e endureceu o coração, ele e os seus oficiais.”. E certamente eles o fizeram. Mas quando Deus se refere ao mesmo caso dois versículos adiante, Ele diz: “Disse o SENHOR a Moisés: Vai ter com Faraó, porque lhe endureci o coração e o coração de seus oficiais, para que eu faça estes meus sinais no meio deles.” Êxodo 10.1
Mais tarde no capítulo 14, é dito que "Sendo, pois, anunciado ao rei do Egito que o povo fugia, mudou-se o coração de Faraó e dos seus oficiais contra o povo, e disseram: Que é isto que fizemos, permitindo que Israel nos deixasse de servir?” (versículo 5). Certamente eles o fizeram, mas o que mudou a mente deles?
O versículo 8 do capítulo 14 explica que eles mudaram suas mentes porque “Porque o SENHOR endureceu o coração de Faraó, rei do Egito, para que perseguisse os filhos de Israel; porém os filhos de Israel saíram afoitamente.”.
Foi o SENHOR que endureceu o coração do Faraó.
Assim, Faraó endureceu seu coração num sentido, mas Deus fez isso acontecer controlando-o diretamente. Da mesma forma, quando uma pessoa crê no evangelho. Deus ele é aquele que faz a pessoa crer.
A Bíblia ensina que é Deus quem endurece diretamente o coração de alguém contra Sua Palavra, de forma que essa pessoa não receberá misericórdia, mas antes vai cair numa ira divina ainda maior contra ela mesma.
Veja a verdade disso: Isaías 63:17 diz: “Ó SENHOR, por que nos fazes desviar dos teus caminhos? Por que endureces o nosso coração, para que te não temamos? Volta, por amor dos teus servos e das tribos da tua herança.”.
Deus fez com que eles desviassem e endurecessem os seus corações. Como o povo deixaria de andar longe e como os seus corações parariam de ser endurecidos? Isso aconteceria quando o Senhor retornasse ao povo, e não quando o povo retornasse a ele.
Certamente o povo devia retornar. Certamente eles deviam parar de andar longe dos caminhos de Deus, e certamente os seus corações deviam ser amolecidos. Mas por que eles fariam isso? Eles fariam – eles poderiam fazer – isso somente quando Deus retornasse a eles e lhes favorecesse novamente.
O Novo Testamento ensina igualmente isso de forma clara. João 12.35-40 diz: “35 Respondeu-lhes Jesus: Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai. 36 Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz. Jesus disse estas coisas e, retirando-se, ocultou-se deles. 37 E, embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não creram nele, 38 para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? 39 Por isso, não podiam crer, porque Isaías disse ainda: 40 Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam por mim curados.”.
Durante todo esse processo, Deus permanece justo porque é Sua prerrogativa controlar suas criaturas de qualquer forma e para qualquer propósito que lhe agrade.
Até mesmo protestar contra esse ensino denuncia um desafio pecaminoso contra o Senhor (Romanos 9.14-24: “14 Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! 15 Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. 16 Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. 17 Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. 18 Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz. 19 Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade? 20 Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? 21 Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? 22 Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, 23 a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, 24 os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?”).
Deus estava agindo contra eles. Ele lhes enviaria uma praga, e então endureceria seus corações para que ele pudesse enviar-lhes outra.
O Egito foi arruinado no processo (Êxodo 10.7 “Então, os oficiais de Faraó lhe disseram: Até quando nos será por cilada este homem? Deixa ir os homens, para que sirvam ao SENHOR, seu Deus. Acaso, não sabes ainda que o Egito está arruinado?”).
Ele (Egito) foi um gigante entre as nações, sem rivais na força econômica e militar. As pessoas também adoravam muitos deuses. Mas nada poderia salvá-las quando o verdadeiro Deus estivesse agindo contra elas. Elas não poderiam nem mesmo se arrepender e clamar por misericórdia, porque Deus lhes tornou obstinadas.
Podemos fazer uma ligação disso com respeito a relação de Deus com a natureza. Deus controlou ativamente a natureza para produzir as pragas, que devastaram a terra e mataram multidões de pessoas.
Ele não apenas “permitiu” a água do Nilo se transformar em sangue. Não é como se o estado natural do líquido já fosse sangue, e que Deus tinha sustentado esse sangue como água até o tempo da praga. E não é como se a água pudesse por si mesma se transformar em sangue por sua própria iniciativa e poder.
Podemos dizer o mesmo com as rãs, os piolhos, as moscas, a sarna, a chuva de pedras, os gafanhotos, e assim por diante.
É fútil afirmar que talvez Deus “permitiu” o diabo fazer isso. Se o diabo tivesse qualquer escolha, não estaria em seu maior interesse enviar pragas sobre o Egito; assim, apenas permiti- lo fazer isso não garante que ele teria feito. Também, o objetivo das pragas era demonstrar o poder de Deus, não do diabo. Mas não precisamos especular sobre isso.
Os mágicos, ou aqueles que representavam o poder do diabo, puderam reproduzir versões miniaturas das primeiras pragas, mas após isso eles não puderam continuar, e admitiram que o dedo de Deus devia estar em operação.
Em todo caso, se alguém apenas ler todos os capítulos e observar a linguagem empregada, ficará claro que o texto descreve cada praga como planejada, produzida, sustentada e então removida pelo poder ativo de Deus.
Nossa passagem trata com a praga final que Deus trouxe contra o Egito. Ele declara que “... naquela mesma noite passarei pelo Egito e matarei todos os primogênitos, tanto dos homens como dos animais” Êxodo 12.12. Novamente, observamos a natureza ativa e deliberada do julgamento rígido e sangrento de Deus contra os seus inimigos.
Ele não diz que abandonaria o Egito em julgamento e salvaria os israelitas da auto-destruição que os egípcios trariam sobre si mesmos.
Ele não diz que ele abandonaria o Egito, e de alguma forma seus primogênitos cairiam mortos por si mesmos.
Ele nem mesmo diz que ele deixaria os egípcios nas mãos de Satanás.
O “destruidor” em Êxodo 12.23 (“Porque o Senhor passará para ferir os egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o Senhor passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.”) não é o diabo, mas o Anjo do Senhor que apareceu a Moisés (Êxodo 3.2: “E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.”).
Jeová efetuou a destruição dos primogênitos através do destruidor, ou anjo destruidor (“Pela fé celebrou a páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos lhe não tocasse.” Hebreus 11.28), isto é, não um anjo caído, mas o anjo de Jeová, em quem Jeová se revelou aos patriarcas e a Moisés.
O Anjo do Senhor é uma manifestação do Filho de Deus pré-encarnado, o Senhor Jesus, a segunda pessoa da Trindade, e portanto foi o próprio Deus quem ativamente matou os primogênitos do Egito.
Deus declara que ele passaria pelo Egito e mataria todo primogênito. Essa é sua natureza, seu método, e sua glória.
O que frequentemente acontece é que as pessoas constroem seus próprios padrões e regras sobre como um Deus justo deveria agir, e então elas inventam todos os tipos de argumentos e distinções complicadas para explicar como Deus nunca violou os padrões e regras delas.
É como se elas ficassem embaraçadas pelo Deus da Bíblia porque ele é muito diferente de como o homem pecador age.
E também porque Ele (Deus) desrespeita os padrões impostos sobre Ele por pessoas que são rebeldes espirituais.
A Bíblia afirma a reprovação ativa, o endurecimento ativo e o julgamento ativo. Precisamos entender isso para compreendermos plenamente o que é a Páscoa e o que ela representa na Escritura.
“Aquela noite,...” diz (Êxodo 12.29-30) ”... Aconteceu que, à meia-noite, feriu o SENHOR todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se assentava no seu trono, até ao primogênito do cativo que estava na enxovia (ou preso no calabouço), e todos os primogênitos dos animais. Levantou-se Faraó de noite, ele, todos os seus oficiais e todos os egípcios; e fez-se grande clamor no Egito, pois não havia casa em que não houvesse morto.”.
Deus não é dito em nenhum lugar ser passivo nisso.
Ele não passou sobre o Egito para salvar seu povo, mas passou sobre o seu povo para matar os membros mais estimados da comunidade do Egito, de forma que nem mesmo os animais foram poupados.
Ele estava numa missão de matar, e fez um trabalho completo, de forma que “houve grande pranto no Egito, pois não havia casa que não tivesse um morto”.
Temos testemunhado alguns grandes desastres em nosso tempo de vida, no qual muitos pereceram, e houve “grande pranto”. Sem considerar os detalhes desses eventos, a natureza das vítimas, e os princípios bíblicos aplicáveis, muitas pessoas rejeitam a própria possibilidade de que Deus tenha algo a ver com essas tragédias, exceto que Ele as tenha “permitido”. Isso é uma Tolice!
É verdade que nem toda tragédia ou morte violenta é um caso de castigo de Deus contra uma pessoa, mas é anti-bíblico rejeitar isso em todo caso.
Estamos envergonhados de Deus? Aqueles que o adoram por quem Ele é confessarão ousadamente – pelo contrário, se gloriarão – que Ele é aquele que persegue e mata Seus inimigos, e aqueles que ele deseja punir.
Você o odeia por isso? Ou você o louva por isso? Sua resposta revela se sua lealdade pertence ao Deus da sua imaginação ou ao Deus da Bíblia.
Assim, a Páscoa não foi um caso onde Deus abandonou os pecadores e deixou que eles caíssem em julgamento, enquanto ele tirou o seu povo para longe dos danos. Não, Ele passou sobre o seu povo e deu aos pecadores toda a Sua atenção, matando todos os primogênitos deles.
Mas através de Moisés, ele instruiu os israelitas a passar o sangue do cordeiro pascal nas ombreiras das suas casas. Ele disse: “O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito.” Êxodo 12.13
Tudo isso é um retrato do que Cristo fez pelo seu povo.
Quando João Batista viu Jesus, ele disse: “... Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” João 1.29
E Paulo escreve: “Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado.” 1 Coríntios 5.7
A Páscoa é somente um tipo e sombra da salvação. A realidade é encontrada na morte expiatória de Cristo. Conseqüentemente, o sangue do cordeiro pascal é um tipo e sombra do sangue de Jesus Cristo. O efeito do primeiro é um retrato do efeito do último.
A Páscoa nos dá também um retrato da ira de Deus contra os incrédulos. Se cremos na Bíblia como revelação de Deus, então devemos afirmar que Ele não deixa meramente os incrédulos em seus pecados, como se eles fossem então se auto-destruírem, ou como se eles pudessem criar um inferno, colocar fogo nele, e se lançarem ali. Não, o próprio Deus os persegue e lança-os no lago de fogo. Entre outras coisas, o valor do sangue expiatório de Cristo está em jogo.
Uma visão fraca da ira de Deus denuncia uma visão fraca da expiação, visto que é o sangue de Jesus que nos salva da ira divina. Correspondendo ao sangue do cordeiro pascal, o sangue de Jesus não somente nos remove do julgamento, mas o ensino bíblico é que ele nos oculta do poder mais terrível e destrutivo de tudo que existe – a ira de Deus manifestada em toda a sua ferocidade e violência.
Mesmo agora, ouvimos o “lamento ruidoso” dos não-cristãos vindo de uma longa distância. Não, Deus não lhes deixou sozinhos, e esse é precisamente o porquê eles sofrem assim! Nós trememos quando pensamos sobre o que Deus está lhes fazendo.
Mas somos aliviados, porque somos muito alegres e gratos porque Deus nos deu graciosamente a Páscoa.
Nós encontramos refúgio do Destruidor atrás do sangue do cordeiro, o Cordeiro Jesus que morreu e Ressuscitou. E como participantes da Festa da Páscoa através da fé em Jesus Cristo, recebemos vida e força para a nossa para essa vida e condição para viver a vida futura na Glória diante de Deus.
Irmãos lembrem – Hebreus 10.31 diz: “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo!”.
Deus não é passivo na Sua reprovação, no Seu ato de endurecimento ou julgamento para com os incrédulos. E quantas pessoas teimam em não crer na Palavra de Deus? E quantos crentes de fachada comemoram a Páscoa, mas não querem ter vida transformada pelo Cordeiro Pascal que é Cristo.
Como essas pessoas estão em relação a Deus? Deus é passivo com elas?
Veja João 3.36: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”.
Eles começam a vida nas Mãos Iradas de Deus, permanecem nas Mãos Iradas, e serão esmagados pelas Mãos Iradas de Deus!
Não há espaço para Ele ser mais ativo do que isso. Ele deixa que eles sejam atormentados pelo diabo? Mas até mesmo o diabo está em suas mãos!
E se você é um não-cristão, isso é o que Deus fará com você se você não se arrepender dos seus pecados. Se Deus não salvar você, no Dia do Seu Juízo Final Ele te esmagará com suas mãos e te jogará no inferno, para o sistema de esgoto cósmico, como se você não fosse nada mais do que um excremento espiritual.
Isso não é de forma alguma excessivamente dramático ou imaginativo, nem é um exagero. A palavra no Novo Testamento para “inferno” é “gehenna”, e refere-se ao Vale de Hinon, localizado ao sul de Jerusalém.
No primeiro século, os judeus ainda estavam usando-o como um depósito de lixo, onde eles manteriam o fogo queimando para destruir o lixo. Jesus usa-o para representar o lugar onde Deus jogará os impenitentes, os perdidos.
A implicação é que os que não foram ainda salvos por Deus são lixo espiritual. Se você rejeita a Jesus Cristo, você não é nada senão um pedaço de lixo.
E é exatamente a nossa questão hoje aqui sobre Páscoa – é dessa situação perdida, de estar debaixo da Ira Justa de Deus de ser uma pedaço de lixo que o sangue de Cristo nos salva.
Diminuir a ira de Deus é diminuir o sangue de Cristo.
Insultamos a obra expiatória de Cristo quando dizemos que a reprovação e o endurecimento são meramente passivos, ou quando retratamos o julgamento divino como se não fosse tão terrível como é. Isto é, subestimar a ira de Deus é subestimar o sangue de Cristo que nos salva dela.
Entenda, em Nome de Jesus a magnitude e terror da ira divina, a extensão extrema da depravação humana, e então o poder salvador correspondente do sangue de Cristo. É por isso que diante destes fatos entendemos o que o autor aos Hebreus escreveu “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” Hebreus 2.3.
As pragas do Egito foram terríveis, mas algo infinitamente pior está vindo. Quando Ele vier, não haverá nenhum arrependimento, e não haverá nenhum escape.
Qual é o seu refúgio? Onde reside sua salvação? Qual é o seu substituto para o sangue do cordeiro? Você colocará chá gelado nas ombreiras da porta ao invés de sangue? O Destruidor virá te matar.
Você colocará um Buda na frente da sua porta? Ele enviará tanto você como o seu Buda para o inferno.
Você colocará uma pintura de Maomé na sua porta? Mas ele já está no inferno te esperando.
Você se esconderá atrás da ciência? Você confiará em sua filosofia? Mas Deus já tornou louca a sabedoria do mundo (1 Coríntios 1.20 “Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?).
Se você é um não-cristão, então você está em grande perigo. A qualquer momento, o Destruidor virá e te lançará no lago de fogo para ser torturado para sempre. O julgamento real está vindo, e a prestação de contas final está próxima. Esse tempo está chegando para mais do que seus primogênitos.
Apresse-se! Tome refúgio atrás do sangue de Cristo, e o Destruidor passará sobre você.
Venha! Una-se àqueles que já estão festejando com o Cordeiro de Deus, aqueles que já encontraram vida em Cristo, e você vai ser salvo da ira porvir.
Salmo 119.133 - “Firma os meus passos na tua palavra, e não me domine iniqüidade alguma.”
Rev. Nelson Taibo - Domingo Culto de Páscoa - 8 de abril de 2007.
“E falou o Senhor a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo: Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família.” Êxodo 12.1-3
“E tomarão do sangue, e polo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem.” Êxodo 12.7
“Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor. E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o Senhor. E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito. E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo.” Êxodo 12.11-14
“E aconteceu, à meia noite, que o Senhor feriu a todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se sentava em seu trono, até ao primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais. E Faraó levantou-se de noite, ele e todos os seus servos, e todos os egípcios; e havia grande clamor no Egito, porque não havia casa em que não houvesse um morto.” Êxodo 12.29-30
Aqui temos o registro bíblico da instituição da Páscoa. Antes de tratarmos com a Páscoa em si, quero relembrar o contexto apropriado, considerando os eventos que levaram a ela.
Aproximadamente quatrocentos anos (antes da instituição da Páscoa), Deus disse a Abraão que seus descendentes seriam escravizados e maltratados durante um tempo num país estrangeiro, mas após isso Deus castigaria a nação onde eles serviram como escravos, e tiraria eles de lá e os levariam à sua própria terra (“...então, lhe foi dito: Sabe, com certeza, que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a gente a que têm de sujeitar-se; e depois sairão com grandes riquezas.” Gênesis 15.13-14).
De acordo com o plano e decreto de Deus, os filhos de Jacó, que tinham ciúmes do favor especial do pai deles para com José, venderam o seu irmão mais novo para o Egito.
Mas Deus guardou José, e ele foi elevado à posição mais alta no Egito abaixo de Faraó, para supervisionar as preparações para a fome que haveria de vir.
Quando a fome veio e as nações ficaram sem comida, elas vinham até o Egito para comprar deles. Jacó também enviou seus filhos para comprar comida, e eles foram reunidos com José. Como a fome continuaria por algum tempo ainda, Jacó e toda a sua família se mudaram para o Egito e foi-lhe dada um pedaço de terra como sua residência.
O Livro de Êxodo começa quando um novo Faraó se sentiu ameaçado pelo crescimento em número e prosperidade de Israel. Assim, ele os escravizou e então deu até mesmo ordens para matar os recém nascidos machos deles.
Mas então o povo de Israel clamou ao Senhor, que era fiel à sua promessa a Abraão, e o Senhor enviou Moisés para confrontar Faraó e tirar o seu povo do Egito.
Quando Deus chamou Moisés para essa obra especial, ele lhe disse que Faraó não deixaria o povo partir tão facilmente. Ou, de outra forma, podemos dizer que Deus não deixaria Faraó permitir tão facilmente. Ele disse: “Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas.” Êxodo 7.3.
Ele controlaria diretamente o coração de Faraó para desafiar o mandamento divino, mesmo diante dos desastres miraculosos que Deus enviaria contra a nação. Em outras palavras, Deus prolongaria deliberadamente a luta entre Faraó e Moisés para que acontecessem oportunidades adicionais para demonstrar seu poder à custa do Egito.
Isso foi assim para que ele pudesse glorificar a si mesmo, punir a nação do Egito, e induzir confiança no povo de Israel para com Deus e o seu servo Moisés.
Os capítulos 7 até 10 do livro de Êxodo exibem um padrão consistente. Moisés confrontaria Faraó e lhe pediria para deixar o povo de Israel partir do Egito para adorar ao Senhor. Faraó recusaria, e assim Deus enviaria uma praga contra a nação. Então, mesmo quando Faraó parecesse ceder, Deus controlaria seu coração e o endureceria novamente.
O relato de Êxodo declara repetidamente que é Deus quem endureceu o coração de Faraó :
Ø “Disse o SENHOR a Moisés: Quando voltares ao Egito, vê que faças diante de Faraó todos os milagres que te hei posto na mão; mas eu lhe endurecerei o coração, para que não deixe ir o povo” Êxodo 4.21
Ø “Porém o SENHOR endureceu o coração de Faraó, e este não os ouviu, como o SENHOR tinha dito a Moisés.” Êxodo 9.12
Ø “1 Disse o SENHOR a Moisés: Vai ter com Faraó, porque lhe endureci o coração e o coração de seus oficiais, para que eu faça estes meus sinais no meio deles, ...”; “20 O SENHOR, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não deixou ir os filhos de Israel.”; “27 O SENHOR, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não quis deixá-los ir.” Êxodo 10.1, 20, 27
Ø “Moisés e Arão fizeram todas essas maravilhas perante Faraó; mas o SENHOR endureceu o coração de Faraó, que não permitiu saíssem da sua terra os filhos de Israel.” Êxodo 11.10
Ø “4 Endurecerei o coração de Faraó, para que os persiga, e serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército; e saberão os egípcios que eu sou o SENHOR. Eles assim o fizeram.”; “8 Porque o SENHOR endureceu o coração de Faraó, rei do Egito, para que perseguisse os filhos de Israel; porém os filhos de Israel saíram afoitamente.” Êxodo 14.4, 8
Isso é evidentemente que Deus desejava enfatizar, para que ninguém chegasse a alguma outra conclusão.
Há somente alguns casos onde a linguagem parece sugerir que Faraó endurecia a si mesmo... “15 Vendo, pois, Faraó que havia descanso, endureceu o seu coração, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito.”; “32 Mas endureceu Faraó ainda esta vez seus coração, e não deixou ir o povo.” Êxodo 8.15,32; ... mas isso não é nada mais do que linguagem relativa, porém é claro que, mesmo nesses casos, é Deus quem endurecia ativamente a Faraó.
Por exemplo, Êxodo 9.34 diz: “Tendo visto Faraó que cessaram as chuvas, as pedras e os trovões, tornou a pecar e endureceu o coração, ele e os seus oficiais.”. E certamente eles o fizeram. Mas quando Deus se refere ao mesmo caso dois versículos adiante, Ele diz: “Disse o SENHOR a Moisés: Vai ter com Faraó, porque lhe endureci o coração e o coração de seus oficiais, para que eu faça estes meus sinais no meio deles.” Êxodo 10.1
Mais tarde no capítulo 14, é dito que "Sendo, pois, anunciado ao rei do Egito que o povo fugia, mudou-se o coração de Faraó e dos seus oficiais contra o povo, e disseram: Que é isto que fizemos, permitindo que Israel nos deixasse de servir?” (versículo 5). Certamente eles o fizeram, mas o que mudou a mente deles?
O versículo 8 do capítulo 14 explica que eles mudaram suas mentes porque “Porque o SENHOR endureceu o coração de Faraó, rei do Egito, para que perseguisse os filhos de Israel; porém os filhos de Israel saíram afoitamente.”.
Foi o SENHOR que endureceu o coração do Faraó.
Assim, Faraó endureceu seu coração num sentido, mas Deus fez isso acontecer controlando-o diretamente. Da mesma forma, quando uma pessoa crê no evangelho. Deus ele é aquele que faz a pessoa crer.
A Bíblia ensina que é Deus quem endurece diretamente o coração de alguém contra Sua Palavra, de forma que essa pessoa não receberá misericórdia, mas antes vai cair numa ira divina ainda maior contra ela mesma.
Veja a verdade disso: Isaías 63:17 diz: “Ó SENHOR, por que nos fazes desviar dos teus caminhos? Por que endureces o nosso coração, para que te não temamos? Volta, por amor dos teus servos e das tribos da tua herança.”.
Deus fez com que eles desviassem e endurecessem os seus corações. Como o povo deixaria de andar longe e como os seus corações parariam de ser endurecidos? Isso aconteceria quando o Senhor retornasse ao povo, e não quando o povo retornasse a ele.
Certamente o povo devia retornar. Certamente eles deviam parar de andar longe dos caminhos de Deus, e certamente os seus corações deviam ser amolecidos. Mas por que eles fariam isso? Eles fariam – eles poderiam fazer – isso somente quando Deus retornasse a eles e lhes favorecesse novamente.
O Novo Testamento ensina igualmente isso de forma clara. João 12.35-40 diz: “35 Respondeu-lhes Jesus: Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai. 36 Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz. Jesus disse estas coisas e, retirando-se, ocultou-se deles. 37 E, embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não creram nele, 38 para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? 39 Por isso, não podiam crer, porque Isaías disse ainda: 40 Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam por mim curados.”.
Durante todo esse processo, Deus permanece justo porque é Sua prerrogativa controlar suas criaturas de qualquer forma e para qualquer propósito que lhe agrade.
Até mesmo protestar contra esse ensino denuncia um desafio pecaminoso contra o Senhor (Romanos 9.14-24: “14 Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! 15 Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. 16 Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. 17 Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. 18 Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz. 19 Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade? 20 Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? 21 Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? 22 Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, 23 a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, 24 os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?”).
Deus estava agindo contra eles. Ele lhes enviaria uma praga, e então endureceria seus corações para que ele pudesse enviar-lhes outra.
O Egito foi arruinado no processo (Êxodo 10.7 “Então, os oficiais de Faraó lhe disseram: Até quando nos será por cilada este homem? Deixa ir os homens, para que sirvam ao SENHOR, seu Deus. Acaso, não sabes ainda que o Egito está arruinado?”).
Ele (Egito) foi um gigante entre as nações, sem rivais na força econômica e militar. As pessoas também adoravam muitos deuses. Mas nada poderia salvá-las quando o verdadeiro Deus estivesse agindo contra elas. Elas não poderiam nem mesmo se arrepender e clamar por misericórdia, porque Deus lhes tornou obstinadas.
Podemos fazer uma ligação disso com respeito a relação de Deus com a natureza. Deus controlou ativamente a natureza para produzir as pragas, que devastaram a terra e mataram multidões de pessoas.
Ele não apenas “permitiu” a água do Nilo se transformar em sangue. Não é como se o estado natural do líquido já fosse sangue, e que Deus tinha sustentado esse sangue como água até o tempo da praga. E não é como se a água pudesse por si mesma se transformar em sangue por sua própria iniciativa e poder.
Podemos dizer o mesmo com as rãs, os piolhos, as moscas, a sarna, a chuva de pedras, os gafanhotos, e assim por diante.
É fútil afirmar que talvez Deus “permitiu” o diabo fazer isso. Se o diabo tivesse qualquer escolha, não estaria em seu maior interesse enviar pragas sobre o Egito; assim, apenas permiti- lo fazer isso não garante que ele teria feito. Também, o objetivo das pragas era demonstrar o poder de Deus, não do diabo. Mas não precisamos especular sobre isso.
Os mágicos, ou aqueles que representavam o poder do diabo, puderam reproduzir versões miniaturas das primeiras pragas, mas após isso eles não puderam continuar, e admitiram que o dedo de Deus devia estar em operação.
Em todo caso, se alguém apenas ler todos os capítulos e observar a linguagem empregada, ficará claro que o texto descreve cada praga como planejada, produzida, sustentada e então removida pelo poder ativo de Deus.
Nossa passagem trata com a praga final que Deus trouxe contra o Egito. Ele declara que “... naquela mesma noite passarei pelo Egito e matarei todos os primogênitos, tanto dos homens como dos animais” Êxodo 12.12. Novamente, observamos a natureza ativa e deliberada do julgamento rígido e sangrento de Deus contra os seus inimigos.
Ele não diz que abandonaria o Egito em julgamento e salvaria os israelitas da auto-destruição que os egípcios trariam sobre si mesmos.
Ele não diz que ele abandonaria o Egito, e de alguma forma seus primogênitos cairiam mortos por si mesmos.
Ele nem mesmo diz que ele deixaria os egípcios nas mãos de Satanás.
O “destruidor” em Êxodo 12.23 (“Porque o Senhor passará para ferir os egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o Senhor passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.”) não é o diabo, mas o Anjo do Senhor que apareceu a Moisés (Êxodo 3.2: “E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.”).
Jeová efetuou a destruição dos primogênitos através do destruidor, ou anjo destruidor (“Pela fé celebrou a páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos lhe não tocasse.” Hebreus 11.28), isto é, não um anjo caído, mas o anjo de Jeová, em quem Jeová se revelou aos patriarcas e a Moisés.
O Anjo do Senhor é uma manifestação do Filho de Deus pré-encarnado, o Senhor Jesus, a segunda pessoa da Trindade, e portanto foi o próprio Deus quem ativamente matou os primogênitos do Egito.
Deus declara que ele passaria pelo Egito e mataria todo primogênito. Essa é sua natureza, seu método, e sua glória.
O que frequentemente acontece é que as pessoas constroem seus próprios padrões e regras sobre como um Deus justo deveria agir, e então elas inventam todos os tipos de argumentos e distinções complicadas para explicar como Deus nunca violou os padrões e regras delas.
É como se elas ficassem embaraçadas pelo Deus da Bíblia porque ele é muito diferente de como o homem pecador age.
E também porque Ele (Deus) desrespeita os padrões impostos sobre Ele por pessoas que são rebeldes espirituais.
A Bíblia afirma a reprovação ativa, o endurecimento ativo e o julgamento ativo. Precisamos entender isso para compreendermos plenamente o que é a Páscoa e o que ela representa na Escritura.
“Aquela noite,...” diz (Êxodo 12.29-30) ”... Aconteceu que, à meia-noite, feriu o SENHOR todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se assentava no seu trono, até ao primogênito do cativo que estava na enxovia (ou preso no calabouço), e todos os primogênitos dos animais. Levantou-se Faraó de noite, ele, todos os seus oficiais e todos os egípcios; e fez-se grande clamor no Egito, pois não havia casa em que não houvesse morto.”.
Deus não é dito em nenhum lugar ser passivo nisso.
Ele não passou sobre o Egito para salvar seu povo, mas passou sobre o seu povo para matar os membros mais estimados da comunidade do Egito, de forma que nem mesmo os animais foram poupados.
Ele estava numa missão de matar, e fez um trabalho completo, de forma que “houve grande pranto no Egito, pois não havia casa que não tivesse um morto”.
Temos testemunhado alguns grandes desastres em nosso tempo de vida, no qual muitos pereceram, e houve “grande pranto”. Sem considerar os detalhes desses eventos, a natureza das vítimas, e os princípios bíblicos aplicáveis, muitas pessoas rejeitam a própria possibilidade de que Deus tenha algo a ver com essas tragédias, exceto que Ele as tenha “permitido”. Isso é uma Tolice!
É verdade que nem toda tragédia ou morte violenta é um caso de castigo de Deus contra uma pessoa, mas é anti-bíblico rejeitar isso em todo caso.
Estamos envergonhados de Deus? Aqueles que o adoram por quem Ele é confessarão ousadamente – pelo contrário, se gloriarão – que Ele é aquele que persegue e mata Seus inimigos, e aqueles que ele deseja punir.
Você o odeia por isso? Ou você o louva por isso? Sua resposta revela se sua lealdade pertence ao Deus da sua imaginação ou ao Deus da Bíblia.
Assim, a Páscoa não foi um caso onde Deus abandonou os pecadores e deixou que eles caíssem em julgamento, enquanto ele tirou o seu povo para longe dos danos. Não, Ele passou sobre o seu povo e deu aos pecadores toda a Sua atenção, matando todos os primogênitos deles.
Mas através de Moisés, ele instruiu os israelitas a passar o sangue do cordeiro pascal nas ombreiras das suas casas. Ele disse: “O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito.” Êxodo 12.13
Tudo isso é um retrato do que Cristo fez pelo seu povo.
Quando João Batista viu Jesus, ele disse: “... Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” João 1.29
E Paulo escreve: “Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado.” 1 Coríntios 5.7
A Páscoa é somente um tipo e sombra da salvação. A realidade é encontrada na morte expiatória de Cristo. Conseqüentemente, o sangue do cordeiro pascal é um tipo e sombra do sangue de Jesus Cristo. O efeito do primeiro é um retrato do efeito do último.
A Páscoa nos dá também um retrato da ira de Deus contra os incrédulos. Se cremos na Bíblia como revelação de Deus, então devemos afirmar que Ele não deixa meramente os incrédulos em seus pecados, como se eles fossem então se auto-destruírem, ou como se eles pudessem criar um inferno, colocar fogo nele, e se lançarem ali. Não, o próprio Deus os persegue e lança-os no lago de fogo. Entre outras coisas, o valor do sangue expiatório de Cristo está em jogo.
Uma visão fraca da ira de Deus denuncia uma visão fraca da expiação, visto que é o sangue de Jesus que nos salva da ira divina. Correspondendo ao sangue do cordeiro pascal, o sangue de Jesus não somente nos remove do julgamento, mas o ensino bíblico é que ele nos oculta do poder mais terrível e destrutivo de tudo que existe – a ira de Deus manifestada em toda a sua ferocidade e violência.
Mesmo agora, ouvimos o “lamento ruidoso” dos não-cristãos vindo de uma longa distância. Não, Deus não lhes deixou sozinhos, e esse é precisamente o porquê eles sofrem assim! Nós trememos quando pensamos sobre o que Deus está lhes fazendo.
Mas somos aliviados, porque somos muito alegres e gratos porque Deus nos deu graciosamente a Páscoa.
Nós encontramos refúgio do Destruidor atrás do sangue do cordeiro, o Cordeiro Jesus que morreu e Ressuscitou. E como participantes da Festa da Páscoa através da fé em Jesus Cristo, recebemos vida e força para a nossa para essa vida e condição para viver a vida futura na Glória diante de Deus.
Irmãos lembrem – Hebreus 10.31 diz: “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo!”.
Deus não é passivo na Sua reprovação, no Seu ato de endurecimento ou julgamento para com os incrédulos. E quantas pessoas teimam em não crer na Palavra de Deus? E quantos crentes de fachada comemoram a Páscoa, mas não querem ter vida transformada pelo Cordeiro Pascal que é Cristo.
Como essas pessoas estão em relação a Deus? Deus é passivo com elas?
Veja João 3.36: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”.
Eles começam a vida nas Mãos Iradas de Deus, permanecem nas Mãos Iradas, e serão esmagados pelas Mãos Iradas de Deus!
Não há espaço para Ele ser mais ativo do que isso. Ele deixa que eles sejam atormentados pelo diabo? Mas até mesmo o diabo está em suas mãos!
E se você é um não-cristão, isso é o que Deus fará com você se você não se arrepender dos seus pecados. Se Deus não salvar você, no Dia do Seu Juízo Final Ele te esmagará com suas mãos e te jogará no inferno, para o sistema de esgoto cósmico, como se você não fosse nada mais do que um excremento espiritual.
Isso não é de forma alguma excessivamente dramático ou imaginativo, nem é um exagero. A palavra no Novo Testamento para “inferno” é “gehenna”, e refere-se ao Vale de Hinon, localizado ao sul de Jerusalém.
No primeiro século, os judeus ainda estavam usando-o como um depósito de lixo, onde eles manteriam o fogo queimando para destruir o lixo. Jesus usa-o para representar o lugar onde Deus jogará os impenitentes, os perdidos.
A implicação é que os que não foram ainda salvos por Deus são lixo espiritual. Se você rejeita a Jesus Cristo, você não é nada senão um pedaço de lixo.
E é exatamente a nossa questão hoje aqui sobre Páscoa – é dessa situação perdida, de estar debaixo da Ira Justa de Deus de ser uma pedaço de lixo que o sangue de Cristo nos salva.
Diminuir a ira de Deus é diminuir o sangue de Cristo.
Insultamos a obra expiatória de Cristo quando dizemos que a reprovação e o endurecimento são meramente passivos, ou quando retratamos o julgamento divino como se não fosse tão terrível como é. Isto é, subestimar a ira de Deus é subestimar o sangue de Cristo que nos salva dela.
Entenda, em Nome de Jesus a magnitude e terror da ira divina, a extensão extrema da depravação humana, e então o poder salvador correspondente do sangue de Cristo. É por isso que diante destes fatos entendemos o que o autor aos Hebreus escreveu “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” Hebreus 2.3.
As pragas do Egito foram terríveis, mas algo infinitamente pior está vindo. Quando Ele vier, não haverá nenhum arrependimento, e não haverá nenhum escape.
Qual é o seu refúgio? Onde reside sua salvação? Qual é o seu substituto para o sangue do cordeiro? Você colocará chá gelado nas ombreiras da porta ao invés de sangue? O Destruidor virá te matar.
Você colocará um Buda na frente da sua porta? Ele enviará tanto você como o seu Buda para o inferno.
Você colocará uma pintura de Maomé na sua porta? Mas ele já está no inferno te esperando.
Você se esconderá atrás da ciência? Você confiará em sua filosofia? Mas Deus já tornou louca a sabedoria do mundo (1 Coríntios 1.20 “Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?).
Se você é um não-cristão, então você está em grande perigo. A qualquer momento, o Destruidor virá e te lançará no lago de fogo para ser torturado para sempre. O julgamento real está vindo, e a prestação de contas final está próxima. Esse tempo está chegando para mais do que seus primogênitos.
Apresse-se! Tome refúgio atrás do sangue de Cristo, e o Destruidor passará sobre você.
Venha! Una-se àqueles que já estão festejando com o Cordeiro de Deus, aqueles que já encontraram vida em Cristo, e você vai ser salvo da ira porvir.
Salmo 119.133 - “Firma os meus passos na tua palavra, e não me domine iniqüidade alguma.”
Rev. Nelson Taibo - Domingo Culto de Páscoa - 8 de abril de 2007.
segunda-feira, 10 de março de 2008
Tão malévolo quanto possível
“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum...” Romanos 7.18a
Quem é mais bandido?
Hitler ou eu?
Stalin ou eu?
Mussolini ou eu?
Qual seria a resposta que você se dá para esta pergunta?
Certamente você dirá... Hitler, Stalin e Mussolini eram muito mais depravados do que eu.
De fato o foram, mas a natureza em si, destes assassinos todos que citei, eram idênticas a minha própria natureza.
Natureza pecaminosa!
Totalmente caída em pecados e delitos.
Morta espiritualmente.
Incapaz de ser boa.
“... todos nós também andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos POR NATUREZA filhos da ira, como os outros também.” Efésios 2.3
O que deu errado com eles e comigo não?
Por que eu acabei tão “bonzinho” e eles não?
Eu sou bom?
“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Romanos 3.23
A diferença entre eles e eu, é a Graça de Deus.
Se a Graça de Deus não tivesse atuado na minha vida, eu seria tão malévolo como qualquer um deles.
A Graça é o sal que tempera a nossa “carne podre”.
Passamos a ter aparência de pessoas civilizadas e boas porque o sal nos tempera. Retirasse o sal, e não passaríamos de “carne podre”, ou seja, pecadores miseráveis.
“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.” Mateus 5.13
Hitler, Mussolini, Stalin foram bandidos cruéis e pecadores inimagináveis por que a Graça não atuou neles como em nós.
Foi digamos “dado corda” para que eles, sem o freio da Graça, fossem o que naturalmente suas naturezas permitiam que fossem: pecadores miseráveis.
Eu e você, não somos iguais ou pior que eles, por que o efeito da Graça em nós é mais latente. Não por que sejamos melhores do que eles, ou mais bonzinhos, mas por que a Graça de Deus em nós brilhou mais. O freio da Graça em nós foi mais atuante, e assim fomos misericordiosamente livres de sermos tão malévolos quanto eles.
Se Deus retirasse sua Graça de mim, eu seria tão homossexual quanto os sodomitas de Sodoma e Gomorra, seria tão devasso quanto Nero foi, seria tão mentiroso quanto qualquer político corrupto, seria tão incestuoso quanto os césares o foram, seria tão canibal quanto algumas tribos africanas o foram.
A Graça me modera. Me salga. Me ilumina.
Sou um miserável pecador, com natureza voltada para o pecado tanto quanto eles ou ainda pior, pois eles também foram “salgados” pela graça e não fizeram tudo o que podiam. Deus também atuou soberanamente sobre eles, derrotando-os no momento oportuno e os reduzindo a pó.
Neste sentido interpretamos o texto abaixo:
“Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens; principalmente dos fiéis.” 1 Timóteo 4.10
Assim Deus é salvador de todos os homens, no sentido de salvá-los de serem tão malévolos quanto suas naturezas permitem, a isto chamamos de Graça comum, ou de Graça inibidora.
Mas Deus também é salvador dos fiéis, ou seja, daqueles a quem é dado fé, fé dada imerecidamente, a isto chamamos de Graça salvadora.
Uma inibe os homens de serem tão maus quanto poderiam ser, a outra dá ao homem um novo nascimento e lhe dá ferramentas para resistir ao pecado e deixar de ser seu escravo.
Por que Hitler não recebeu graça salvadora? Não sei.
Por que eu, sendo igual ou pior que ele (caso não tivesse sido "salgado" pela Graça), recebi o novo nascimento? Não sei.
Tudo por Graça, nada por mérito meu.
Nasci com a natureza do pecado tanto quanto eles.
Se tivesse lido os livros que Hitler leu, tido as experiências que ele teve, vivido a vida que ele viveu, sem os freios da Graça que nele não atuou, eu seria tão nojento quanto ele foi, por que retirada a Graça do homem, aflora tudo o que homem pode ser: um pecador miserável e incurável.
E o pior é que hoje as pessoas “salgadas” pela atuação e pregação da mensagem da Graça, de fato são pessoas melhores, mas ignorando o efeito da Graça acham que são boas naturalmente e por si sós, e não conseguem ver que seriam tão malévolas quanto suas naturezas permitiriam que fossem se a Graça não interferisse enquanto freio.
Retirado este sal, o mundo retornaria à sua natureza normal que é podridão do pecado.
Você se acha bom?
O Evangelho não fará efeito em você.
Você se acha um pecador miserável?
A Graça pode te alcançar e você não está longe de entender o Evangelho.
Maravilhosa Graça.
Sublime Graça.
Por isto cantamos: “Amazing grace”:
Amazing grace, how sweet the sound
(Sublime graça, tão doce quanto o som)
That sav´d a wretch like me!
(Que salvou um infeliz como eu)
I once was lost, but now am found,
(Eu estava perdido, mas agora fui achado)
Was blind, bud now I see.
(Era cego, mas agora eu vejo)
´Twas grace that taught my heart to fear,
(Tua graça ensinou o meu coração a temer)
And grace my fears reliev´d;
(E os meus receios diminuíram)
How precious did that grace appear,
(Quão preciosa ela me foi)
The hour I first believ´d!
(Na hora em que me salvou)
Thro´ many dangers, toils and snares,
(Batalhas mil eu enfrentei)
I have already come;
(Jesus está comigo)
´Tis grace has brought me safe thus far,
(Com sua graça salvo estarei)
And grace will lead me home.
(E esta graça ao céu me levará)
The Lord has promis´d good to me,
(O Senhor tem bons planos para mim)
His word my hope secures;
(Sua palavra é minha segurança)
He will my shield and portion be,
(Ele vai ser o meu escudo e a minha porção)
As long as life endures.
(Enquanto a vida durar)
Yes, when this flesh and heart shall fail,
(Sim, quando esta carne e coração fracassarem)
And mortal life shall cease;
(E a vida mortal chegar ao fim)
I shall possess, within the veil,
(Eu vou possuir, no céu)
A life of joy and peace.
(Uma vida de alegria e paz)
The earth shall soon dissolve like snow,
(A terra logo se dissolverá como neve)
The sun forbear to shine;
(O sol deixará de brilhar)
But God, who call´d me here below,
(Mas Deus, que me chamou aqui embaixo)
Will be forever mine.
(Será para sempre meu)
John Newton 1779
Quem é mais bandido?
Hitler ou eu?
Stalin ou eu?
Mussolini ou eu?
Qual seria a resposta que você se dá para esta pergunta?
Certamente você dirá... Hitler, Stalin e Mussolini eram muito mais depravados do que eu.
De fato o foram, mas a natureza em si, destes assassinos todos que citei, eram idênticas a minha própria natureza.
Natureza pecaminosa!
Totalmente caída em pecados e delitos.
Morta espiritualmente.
Incapaz de ser boa.
“... todos nós também andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos POR NATUREZA filhos da ira, como os outros também.” Efésios 2.3
O que deu errado com eles e comigo não?
Por que eu acabei tão “bonzinho” e eles não?
Eu sou bom?
“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Romanos 3.23
A diferença entre eles e eu, é a Graça de Deus.
Se a Graça de Deus não tivesse atuado na minha vida, eu seria tão malévolo como qualquer um deles.
A Graça é o sal que tempera a nossa “carne podre”.
Passamos a ter aparência de pessoas civilizadas e boas porque o sal nos tempera. Retirasse o sal, e não passaríamos de “carne podre”, ou seja, pecadores miseráveis.
“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.” Mateus 5.13
Hitler, Mussolini, Stalin foram bandidos cruéis e pecadores inimagináveis por que a Graça não atuou neles como em nós.
Foi digamos “dado corda” para que eles, sem o freio da Graça, fossem o que naturalmente suas naturezas permitiam que fossem: pecadores miseráveis.
Eu e você, não somos iguais ou pior que eles, por que o efeito da Graça em nós é mais latente. Não por que sejamos melhores do que eles, ou mais bonzinhos, mas por que a Graça de Deus em nós brilhou mais. O freio da Graça em nós foi mais atuante, e assim fomos misericordiosamente livres de sermos tão malévolos quanto eles.
Se Deus retirasse sua Graça de mim, eu seria tão homossexual quanto os sodomitas de Sodoma e Gomorra, seria tão devasso quanto Nero foi, seria tão mentiroso quanto qualquer político corrupto, seria tão incestuoso quanto os césares o foram, seria tão canibal quanto algumas tribos africanas o foram.
A Graça me modera. Me salga. Me ilumina.
Sou um miserável pecador, com natureza voltada para o pecado tanto quanto eles ou ainda pior, pois eles também foram “salgados” pela graça e não fizeram tudo o que podiam. Deus também atuou soberanamente sobre eles, derrotando-os no momento oportuno e os reduzindo a pó.
Neste sentido interpretamos o texto abaixo:
“Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens; principalmente dos fiéis.” 1 Timóteo 4.10
Assim Deus é salvador de todos os homens, no sentido de salvá-los de serem tão malévolos quanto suas naturezas permitem, a isto chamamos de Graça comum, ou de Graça inibidora.
Mas Deus também é salvador dos fiéis, ou seja, daqueles a quem é dado fé, fé dada imerecidamente, a isto chamamos de Graça salvadora.
Uma inibe os homens de serem tão maus quanto poderiam ser, a outra dá ao homem um novo nascimento e lhe dá ferramentas para resistir ao pecado e deixar de ser seu escravo.
Por que Hitler não recebeu graça salvadora? Não sei.
Por que eu, sendo igual ou pior que ele (caso não tivesse sido "salgado" pela Graça), recebi o novo nascimento? Não sei.
Tudo por Graça, nada por mérito meu.
Nasci com a natureza do pecado tanto quanto eles.
Se tivesse lido os livros que Hitler leu, tido as experiências que ele teve, vivido a vida que ele viveu, sem os freios da Graça que nele não atuou, eu seria tão nojento quanto ele foi, por que retirada a Graça do homem, aflora tudo o que homem pode ser: um pecador miserável e incurável.
E o pior é que hoje as pessoas “salgadas” pela atuação e pregação da mensagem da Graça, de fato são pessoas melhores, mas ignorando o efeito da Graça acham que são boas naturalmente e por si sós, e não conseguem ver que seriam tão malévolas quanto suas naturezas permitiriam que fossem se a Graça não interferisse enquanto freio.
Retirado este sal, o mundo retornaria à sua natureza normal que é podridão do pecado.
Você se acha bom?
O Evangelho não fará efeito em você.
Você se acha um pecador miserável?
A Graça pode te alcançar e você não está longe de entender o Evangelho.
Maravilhosa Graça.
Sublime Graça.
Por isto cantamos: “Amazing grace”:
Amazing grace, how sweet the sound
(Sublime graça, tão doce quanto o som)
That sav´d a wretch like me!
(Que salvou um infeliz como eu)
I once was lost, but now am found,
(Eu estava perdido, mas agora fui achado)
Was blind, bud now I see.
(Era cego, mas agora eu vejo)
´Twas grace that taught my heart to fear,
(Tua graça ensinou o meu coração a temer)
And grace my fears reliev´d;
(E os meus receios diminuíram)
How precious did that grace appear,
(Quão preciosa ela me foi)
The hour I first believ´d!
(Na hora em que me salvou)
Thro´ many dangers, toils and snares,
(Batalhas mil eu enfrentei)
I have already come;
(Jesus está comigo)
´Tis grace has brought me safe thus far,
(Com sua graça salvo estarei)
And grace will lead me home.
(E esta graça ao céu me levará)
The Lord has promis´d good to me,
(O Senhor tem bons planos para mim)
His word my hope secures;
(Sua palavra é minha segurança)
He will my shield and portion be,
(Ele vai ser o meu escudo e a minha porção)
As long as life endures.
(Enquanto a vida durar)
Yes, when this flesh and heart shall fail,
(Sim, quando esta carne e coração fracassarem)
And mortal life shall cease;
(E a vida mortal chegar ao fim)
I shall possess, within the veil,
(Eu vou possuir, no céu)
A life of joy and peace.
(Uma vida de alegria e paz)
The earth shall soon dissolve like snow,
(A terra logo se dissolverá como neve)
The sun forbear to shine;
(O sol deixará de brilhar)
But God, who call´d me here below,
(Mas Deus, que me chamou aqui embaixo)
Will be forever mine.
(Será para sempre meu)
John Newton 1779
domingo, 2 de março de 2008
Chuva, muita chuva...
Choveu muito nestas últimas semanas na minha cidade.
Lembrei então de um texto que li num dos meus blogs prediletos.
Com permissão do autor, reproduzo abaixo o texto do Reverendo Folton Nogueira, que foi publicado em seu blog.
Um texto que gostei muito pela sua simplicidade e beleza poética.
O título original do texto do Rev. Folton era “Águas de Fevereiro”:
Dizem que as águas de março fecham o verão. Pode até ser. Se for, começaram em fevereiro.
Águas e ventos castigaram nossa ilha e nossa cidade. Folhas, galhos e árvores arrancadas pela raiz ainda podem ser vistas em nossas ruas.
Águas e ventos castigaram nossos acampamentos. O dos adultos, menos dependente de eletricidade, teve de se despedir da comida guardada na geladeira e o dos jovens, além disso, despediu-se do uso dos instrumentos elétricos.
Águas e ventos já mostraram sua fúria nos dias de nosso Senhor e impeliram seus discípulos a acordá-lo pedindo socorro. Não seria diferente em nossos dias. Muitos oraram com fervor, depois de assustados com os trovões terem se jogado debaixo das mesas.
Acabada a tempestade, a bonança, trouxe o silêncio dos grilos e dos passarinhos e, também, o frescor das folhas, o aroma da terra e a espera. Espera por um bem que nós inventamos e sem o qual dificilmente sobreviveríamos: a eletricidade.
Se, por um lado, a falta de eletricidade estimulou a conversa - normalmente silenciada pelas novelas - e a observação de um céu negro profundo em que as estrelas pareciam mais brilhantes, por outro deixou sem água quem dependia de bomba.
Aqui, não achamos lampiões que iluminassem o templo no domingo. Conseguimos comprar algumas velas, e durante o culto foi possível ver que os bancos sem adoradores e velas, estavam escuros e cheios de ausências.
Cantamos, lemos, oramos e ouvimos a Palavra do Senhor à luz de velas, que, como nós só ilumina bem o que está próximo. Recordamos também, que a luz precisa estar desimpedida para alumiar o objeto e precisa estar no alto para ser vista.
Benditas águas de fevereiro. Muitos estragos, muitas lições.
Lições que vieram sobre bons e maus, sobre justos e injustos. Lições comuns a todos que deixando de lado a raiva por Deus ter suspendido seus planos e mostrado que um pouco de sua chuva acaba com a “torre” dos mortais, perceberam seu poder destilado gota a gota, sopro a sopro.
Lembrei então de um texto que li num dos meus blogs prediletos.
Com permissão do autor, reproduzo abaixo o texto do Reverendo Folton Nogueira, que foi publicado em seu blog.
Um texto que gostei muito pela sua simplicidade e beleza poética.
O título original do texto do Rev. Folton era “Águas de Fevereiro”:
Dizem que as águas de março fecham o verão. Pode até ser. Se for, começaram em fevereiro.
Águas e ventos castigaram nossa ilha e nossa cidade. Folhas, galhos e árvores arrancadas pela raiz ainda podem ser vistas em nossas ruas.
Águas e ventos castigaram nossos acampamentos. O dos adultos, menos dependente de eletricidade, teve de se despedir da comida guardada na geladeira e o dos jovens, além disso, despediu-se do uso dos instrumentos elétricos.
Águas e ventos já mostraram sua fúria nos dias de nosso Senhor e impeliram seus discípulos a acordá-lo pedindo socorro. Não seria diferente em nossos dias. Muitos oraram com fervor, depois de assustados com os trovões terem se jogado debaixo das mesas.
Acabada a tempestade, a bonança, trouxe o silêncio dos grilos e dos passarinhos e, também, o frescor das folhas, o aroma da terra e a espera. Espera por um bem que nós inventamos e sem o qual dificilmente sobreviveríamos: a eletricidade.
Se, por um lado, a falta de eletricidade estimulou a conversa - normalmente silenciada pelas novelas - e a observação de um céu negro profundo em que as estrelas pareciam mais brilhantes, por outro deixou sem água quem dependia de bomba.
Aqui, não achamos lampiões que iluminassem o templo no domingo. Conseguimos comprar algumas velas, e durante o culto foi possível ver que os bancos sem adoradores e velas, estavam escuros e cheios de ausências.
Cantamos, lemos, oramos e ouvimos a Palavra do Senhor à luz de velas, que, como nós só ilumina bem o que está próximo. Recordamos também, que a luz precisa estar desimpedida para alumiar o objeto e precisa estar no alto para ser vista.
Benditas águas de fevereiro. Muitos estragos, muitas lições.
Lições que vieram sobre bons e maus, sobre justos e injustos. Lições comuns a todos que deixando de lado a raiva por Deus ter suspendido seus planos e mostrado que um pouco de sua chuva acaba com a “torre” dos mortais, perceberam seu poder destilado gota a gota, sopro a sopro.
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