Recebi já faz algum tempo, uma reflexão de meu grande amigo Emílio José da Silva, e pedi, na ocasião, permissão para publicar neste espaço o seu texto.
Devidamente autorizado, compartilho:
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“Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” Lucas 23.39-43
Quando o profeta Isaias teve a visão do sofrimento de Jesus, ele afirmou que este seria contado com os transgressores; levaria sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercederia.
“Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.” Isaías 53.12
E Jesus, conhecendo as Escrituras e sabendo que se tratava Dele, reafirmou esta profecia quando instruia os discipulos.
“Pois vos digo que importa que se cumpra em mim o que está escrito: Ele foi contado com os malfeitores. Porque o que a mim se refere está sendo cumprido.” Lucas 22.37
Jesus sabia que seria crucificado em meio a outros homens e que estes seriam criminosos. A prática da crucificação era aplicada pelo império romano, diferente dos judeus que aplicavam o apedrejamento.
Não havia motivo algum para Jesus estar ali, no meio daqueles criminosos, afinal Ele não havia cometido crime algum. O próprio Pilatos chegou a afirmar não encontrar culpa alguma em Jesus, mas sabemos que nos planos de Deus, para que a humanidade pudesse alcançar a redenção, seria necessário que Jesus fosse à cruz.
“Nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar. É, pois, claro que nada contra ele se verificou digno de morte.” Lucas 23.15
Neste episódio encontramos uma das cenas mais tristes e sofridas que o apóstolo João e os evangelistas relataram em suas narrativas. As últimas 24 horas da vida de Jesus foram aterrorizantes.
Angústia no Getsemani; prisão; açoites; escárnios; interrogatórios; zombarias; calúnias. O Senhor Jesus passou por tudo isso, antes de chegar à crucificação.
Primeira reflexão: ainda que saibamos o que Deus quer de nós e o que ele exige que passemos nesta vida para cumprir a sua vontade, estamos dispostos a suportar tudo o que o Senhor Jesus suportou por amor a Ele? O apóstolo Paulo dizia levar em si a marca de Cristo.
E então, quando Jesus é levantado na cruz, eis que dois outros homens, um à sua direita e outro à esquerda, igualmente crucificados como ele, são levantados também.
E ali estão agora, aqueles três homens com características tão distintas:
- Um deles, o Senhor Jesus, manso e humilde, dizendo para Deus perdoar os pecados daqueles soldados pois não sabiam o que estavam fazendo;
- O outro, um assassino cruel e incapaz de se arrepender de seus atos, zombador e interesseiro, tentando ao Senhor Jesus ao exigir-lhe que salvasse a si mesmo e a eles;
- Um terceiro, também criminoso, mas consciente de sua condição de pecado e reconhecendo quem era Jesus e o que Ele podia fazer em seu favor.
Segunda reflexão: o que cada um destes criminosos representa e com qual deles nos identificamos?
O primeiro criminoso, aquele que injuriava Jesus, representa a humanidade pecadora que, mesmo tendo conhecimento de Jesus, não o reconhece como Filho de Deus; como aquele que seria capaz de salvar os homens de seus pecados;
O primeiro criminoso é aquela pessoa que vê na pessoa de Jesus apenas uma forma de escapar dos problemas desta vida. Ele queria se ver livre da cruz e da sua condenação. Ele queria apenas que Jesus solucionasse seus problemas de ordem “material”.
Em nenhum momento aquele homem pensou que Jesus pudesse ser a solução para a vida eterna. Talvez ele nem acreditasse na possibilidade de uma vida eterna. Ele queria voltar ao convívio social e desfrutar das coisas desta vida, e quem sabe até mesmo voltar à vida do crime.
Este criminoso representa todo aquele que, tendo conhecimento de Deus, não o glorifica como Deus, nem lhe dá graças por nada; antes, seu raciocinio se torna fútil e seu coração insensato se obscurece.
“... porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato.” Romanos 1.21
Este criminoso representa a humanidade que se encontra morta por causa do pecado; representa todos os que estão distantes de Deus e que se encontram na condição de escravos do pecado.
O segundo criminoso, aquele que reconheceu Jesus como o Messias, o Salvador, representa todo aquele que, diante do conhecimento de Jesus, rende-se a Ele eo reconhece como Filho de Deus; o único que poderia trazer salvação ao ser humano
O segundo criminoso representa todas as pessoas, que mesmo na condição de pecadoras, mesmo tendo cometido crimes, podem alcançar a salvaçào de suas almas, quando reconhecem sua condição de pecado; e portanto de inimizade com Deus, e vêem que a solução é crer que o Senhor Jesus pode salvá-la.
Este criminoso entende que as consequencias do seu pecado o conduziram à cruz, e ele não poderia escapar desta condenação, mas ele também sabe que a vida não se resume somente a esta existncia. Ele crê numa segunda vida, após a morte. E deseja viver esta vida ao lado de Jesus. Por isso ele faz aquele pedido a Jesus: “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino... ”.
E então vemos a maravilhosa resposta de Jesus àquele homem: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”.
Oh, que maravilha. Aquele homem talvez não imaginasse que Jesus lhe faria tão grande promessa. Ele, que desejava fazer parte do reino de Deus, não só faria parte, mas naquele mesmo dia, estaria com o Senhor para sempre.
O segundo criminoso fez o que cada um de nós precisa fazer para alcançar a graça e a misericordia do Senhor: reconhecer que somos pecadores, inimigos de Deus e condenados à morte, não por sermos maus e fazermos o que é errado, mas por determinaçào de Deus, pois todas as pessoas, desde o momento em que nascem, estão sob a lei do pecado de Adão. E ninguém pode salvar-se a si mesmo. Precisamos de alguém que dê a sua vida em resgate da nossa. Jesus fez isso. Ofereceu-se como sacrificio pelos pecados de todos os que crerem Nele. E assim, como o criminoso, depois de reconhecer nosso estado de pecaminosidade, precisamos nos arrepender e entregar a nossa vida ao Senhor Jesus.
Jesus nem quis saber qual foi o crime que aquele homem havia cometido. Ele simplesmente amou e perdoou aquele homem e, mais do que isso, lhe deu certeza de vida eterna (no paraiso).
Jesus não está nem um pouco preocupado em saber quais foram os pecados nos quais vivíamos no passado. O seu sangue é suficiente para apagar todos eles. E ele quer que voce creia que quando Ele foi crucificado, nós também fomos, pois Ele mesmo afirmou que quando fosse levantado, Ele atrairia todos a Ele.
“E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.” João 12.32
Assim, quando Ele foi crucificado, nós, os que cremos, tambem fomos. Quando Ele ressuscitou, nós, os que cremos, também ressuscitamos e estamos com Ele nos lugares celestiais. E quando partirmos desta vida, o encontraremos no paraíso, como o criminoso o encontrou.
Glórias a Deus por tão grande salvação. Deus planejou tudo perfeitamente. Não há falhas nos seus planos.
Estamos crucificados com Cristo, assim como os dois criminosos estavam, mas o que faremos? Agiremos como o primeiro que menosprezou o Senhor Jesus, ou nos renderemos a Ele como fez o segundo? Que o Espírito Santo lhe ajude a tomar a decisão certa, como fez o criminoso que reconheceu Jesus como seu único e suficiente Salvador.
sábado, 29 de novembro de 2008
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1 comentários:
Bom dia,
realmente é muito bonito este texto do grande amigo Emílio. Assim como você, eu já o havia lido em outra oportunidade, mas sempre é bom relembrar.
O xurupaque (Emílio) foi, em conjunto com o Natan, uma das pessoas que me ajudou a dar os primeiros passos rumo a Cristo, e sou sempre muito agradecido por isto. Pena ele não ter mais tempo para participar de forma mais ativa das nossas divagações, pois assim como este texto imagino o quanto poderia colaborar com nosso cyber grupo, hehe, o capitalismo selvagem o envolveu,,, uauauauau
Grande abraço e também para o Emílio, isto se ele aparecer para ler teu artigo, uauauauau
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