Choveu muito nestas últimas semanas na minha cidade.
Lembrei então de um texto que li num dos meus blogs prediletos.
Com permissão do autor, reproduzo abaixo o texto do Reverendo Folton Nogueira, que foi publicado em seu blog.
Um texto que gostei muito pela sua simplicidade e beleza poética.
O título original do texto do Rev. Folton era “Águas de Fevereiro”:
Dizem que as águas de março fecham o verão. Pode até ser. Se for, começaram em fevereiro.
Águas e ventos castigaram nossa ilha e nossa cidade. Folhas, galhos e árvores arrancadas pela raiz ainda podem ser vistas em nossas ruas.
Águas e ventos castigaram nossos acampamentos. O dos adultos, menos dependente de eletricidade, teve de se despedir da comida guardada na geladeira e o dos jovens, além disso, despediu-se do uso dos instrumentos elétricos.
Águas e ventos já mostraram sua fúria nos dias de nosso Senhor e impeliram seus discípulos a acordá-lo pedindo socorro. Não seria diferente em nossos dias. Muitos oraram com fervor, depois de assustados com os trovões terem se jogado debaixo das mesas.
Acabada a tempestade, a bonança, trouxe o silêncio dos grilos e dos passarinhos e, também, o frescor das folhas, o aroma da terra e a espera. Espera por um bem que nós inventamos e sem o qual dificilmente sobreviveríamos: a eletricidade.
Se, por um lado, a falta de eletricidade estimulou a conversa - normalmente silenciada pelas novelas - e a observação de um céu negro profundo em que as estrelas pareciam mais brilhantes, por outro deixou sem água quem dependia de bomba.
Aqui, não achamos lampiões que iluminassem o templo no domingo. Conseguimos comprar algumas velas, e durante o culto foi possível ver que os bancos sem adoradores e velas, estavam escuros e cheios de ausências.
Cantamos, lemos, oramos e ouvimos a Palavra do Senhor à luz de velas, que, como nós só ilumina bem o que está próximo. Recordamos também, que a luz precisa estar desimpedida para alumiar o objeto e precisa estar no alto para ser vista.
Benditas águas de fevereiro. Muitos estragos, muitas lições.
Lições que vieram sobre bons e maus, sobre justos e injustos. Lições comuns a todos que deixando de lado a raiva por Deus ter suspendido seus planos e mostrado que um pouco de sua chuva acaba com a “torre” dos mortais, perceberam seu poder destilado gota a gota, sopro a sopro.
domingo, 2 de março de 2008
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