domingo, 2 de março de 2008

Chuva, muita chuva...

Choveu muito nestas últimas semanas na minha cidade.
Lembrei então de um texto que li num dos meus blogs prediletos.
Com permissão do autor, reproduzo abaixo o texto do Reverendo Folton Nogueira, que foi publicado em seu blog.
Um texto que gostei muito pela sua simplicidade e beleza poética.

O título original do texto do Rev. Folton era “Águas de Fevereiro”:

Dizem que as águas de março fecham o verão. Pode até ser. Se for, começaram em fevereiro.

Águas e ventos castigaram nossa ilha e nossa cidade. Folhas, galhos e árvores arrancadas pela raiz ainda podem ser vistas em nossas ruas.

Águas e ventos castigaram nossos acampamentos. O dos adultos, menos dependente de eletricidade, teve de se despedir da comida guardada na geladeira e o dos jovens, além disso, despediu-se do uso dos instrumentos elétricos.

Águas e ventos já mostraram sua fúria nos dias de nosso Senhor e impeliram seus discípulos a acordá-lo pedindo socorro. Não seria diferente em nossos dias. Muitos oraram com fervor, depois de assustados com os trovões terem se jogado debaixo das mesas.

Acabada a tempestade, a bonança, trouxe o silêncio dos grilos e dos passarinhos e, também, o frescor das folhas, o aroma da terra e a espera. Espera por um bem que nós inventamos e sem o qual dificilmente sobreviveríamos: a eletricidade.

Se, por um lado, a falta de eletricidade estimulou a conversa - normalmente silenciada pelas novelas - e a observação de um céu negro profundo em que as estrelas pareciam mais brilhantes, por outro deixou sem água quem dependia de bomba.

Aqui, não achamos lampiões que iluminassem o templo no domingo. Conseguimos comprar algumas velas, e durante o culto foi possível ver que os bancos sem adoradores e velas, estavam escuros e cheios de ausências.

Cantamos, lemos, oramos e ouvimos a Palavra do Senhor à luz de velas, que, como nós só ilumina bem o que está próximo. Recordamos também, que a luz precisa estar desimpedida para alumiar o objeto e precisa estar no alto para ser vista.

Benditas águas de fevereiro. Muitos estragos, muitas lições.

Lições que vieram sobre bons e maus, sobre justos e injustos. Lições comuns a todos que deixando de lado a raiva por Deus ter suspendido seus planos e mostrado que um pouco de sua chuva acaba com a “torre” dos mortais, perceberam seu poder destilado gota a gota, sopro a sopro.

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