domingo, 26 de agosto de 2007

O semeador “cego”

“E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.” Atos 13.48

Recentemente tive o privilégio de ouvir um sermão, onde de passagem o pregador falou esta frase do semeador cego, e ela ficou balançando um bom tempo na minha mente, e pensando nela é que faço esta reflexão.

Já vimos em reflexões anteriores que Jesus veio salvar pecadores miseráveis.
Já vimos que o homem não pode se salvar por meio dos seus esforços, e nem pode crer no Evangelho se não for movido sobrenaturalmente para isto, pois para as coisas do Evangelho ele é surdo, louco, incapaz de crer, cego e morto espiritual.
Já vimos que ninguém pode vir a Jesus, se por Deus não lhe for concedido esta capacidade.
Já vimos que aqueles que forem vivificados espiritualmente pelo novo nascimento irão até Jesus e Ele de maneira nenhuma os rejeitará.
Já vimos que destes ninguém será arrancado ou separado da mão do Senhor Jesus.
Já vimos que Jesus os ressuscitará no último dia, e quando morrerem não verão a morte mas o próprio Senhor virá buscá-los.

Quem leu as reflexões desde o início, lembra agora quantas coisas gloriosas o Senhor Jesus fez e faz pelos seus eleitos.

Jesus não morreu pelo mundo inteiro, mas somente por aqueles que crerem.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3.16

Note que o Filho foi dado na cruz SOMENTE POR TODO AQUELE que crê.
E sabemos que muitos morrem sem crer.
E sabemos que até para crer precisamos que esta graça nos seja dada por Deus.

Jesus não morreu pelo mundo inteiro, mas somente pela sua igreja.

“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela.” Efésios 5.25

Note que se em João o texto não fica claro, porque temos que refletir que para crer também precisamos receber a capacidade de crer, e que alguns se confundem com a palavra mundo que lá está, aqui neste texto temos claramente que Cristo se deu pela igreja somente, e que o mundo foi amado, não totalmente nem indistintamente mas o mundo foi amado através do amor que Cristo sente pela sua igreja. Deus odeia os soberbos, lembra? Não é possível amar o mundo todo e ao mesmo tempo odiar os soberbos e... são muitos os soberbos.

Mas a semente do Evangelho é para ser pregada a todos no mundo, mas enquanto semeadores não sabemos quem é eleito e quem não é.

Então como semeadores “cegos” distribuímos a mensagem de boas novas a todos os nossos amigos, conhecidos e desconhecidos para ver se o Espírito Santo juntamente com a nossa mensagem opera soberanamente a vivificação de pecadores.

Numa plantação normal, o semeador usando o arado vai riscando o chão, e depois lança a semente somente nesta marca que fica no chão pois não quer desperdiçar semente e sabe que só no risco cavado pelo arado que é o local correto para semear.

O semeador do Evangelho, como um semeador “cego” ou “irracional” vai jogando sua semente por todos os lugares, na terra, nas rochas, no mato, no caminho, fora do caminho, vai jogando ele a sua semente... é o seu papel: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” Marcos 16.15

Mas sabe por fé e pela Palavra que a semente somente vai prosperar naqueles corações onde o “arado” do Espírito Santo vai cortando, e convencendo do pecado da justiça e do juízo e vivificando pessoas onde então estas sementes brotarão com uma vida nova, uma vida que faz sentido.

A mensagem do Evangelho corta o teu coração?
Ou ela não faz sentido nenhum?

“Escutai vós, pois, a parábola do semeador.” Mateus 13.18

Se deixe cortar... não resista ao chamado do Evangelho... se você assim fizer e com sinceridade, foi o Espírito Santo quem operou este querer em você...

Minha oração é que vocês a quem escrevo seja dada a capacidade de crer:

“Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado.” Mateus 13.11

sábado, 18 de agosto de 2007

As pessoas boas irão para o céu?

“Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha PERDIDO.” Mateus 18.11

Penso de vez enquanto que o grande problema das pessoas hoje, são que todas praticamente são “gente boa”.
São “tuti bona gente” (não sei escrever em italiano, apenas reproduzi foneticamente o que ouvimos enquanto expressão).

Pense num amigo qualquer, me fale sobre ele... provavelmente dirás “... é gente boa...” ou ainda “... uma grande figura...” ou ainda “... é o cara...”.

Gente boa vai para o inferno?
Você, que me está lendo agora, você é gente boa aos teus próprios olhos?
Você acha que merece ir para o inferno?
Seria justo que Deus te enviasse eternamente para o inferno, “... onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.”? Marcos 9.44

Se para a pergunta anterior você respondeu “sim, eu sou gente boa”, ou você respondeu “não, eu não mereço ir para o inferno”, ou você respondeu mentalmente “não, não seria justo Deus me mandar ao inferno, afinal eu sou bom”... então meu caro, é com tristeza que eu informo que você está indo ao inferno a passos largos, é tempo de mudar de caminho, é tempo aceitável para dar uma guinada pois Jesus não veio salvar os que se acham gente boa.

Jesus veio salvar pecadores.
Jesus veio salvar pecadores miseráveis.
Jesus veio salvar o que se havia perdido.

Aqueles que se acham os bons, que não se acham tão “mauzinhos” assim, na realidade não precisam de Deus, não precisam de um salvador. Eles se “justificam” a si mesmos.

O Evangelho não encontra ouvidos atentos naqueles que se acham bons, mas eles acabam se tornando excelentes religiosos.
O Evangelho encontra terreno fértil, naqueles que estão desesperados com a situação das suas almas podres, que só eles sabem o quanto são podres.

Aos olhos dos outros, cabelinho arrumado, posição social, personalidade, mas em segredo sabe o quanto miserável é, o quão desiludido está, o quão a vida não faz sentido nenhum...

Para estes no tempo certo, Deus se aproxima, e oferece a leitura da sua Palavra, oferece os mistérios da oração, oferece a vivificação do seu espírito morto, lhe dá fé, lhe salva.

O Senhor eleva os humildes e humilha os soberbos.
O Senhor ama os humildes e odeia os soberbos.

E humilde não é aquele que tem fala mole; isto é um conceito de falsa humildade, mas humilde é aquele que se humilha e que se submete a um Deus soberano, e reconhece que depende Dele para tudo e que é um miserável pecador, e que sozinho não consegue se salvar.
E soberbo é aquele que se basta... “eu posso”, “eu consigo”, “eu sou bom”, “eu não sou um miserável pecador”, “eu sou gente boa”, “Deus será obrigado a me salvar”, “vejam minhas obras...”.

O Senhor não veio para os bons, mas para os quebrantados... “Pois me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração...” Lucas 4.18

O Senhor não veio para os que são donos do próprio destino, mas veio para os que estão cativos por Satanás e amarrados a sua natureza pecadora... “... A pregar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos...” Lucas 4.19

O Senhor é o médico das nossas almas, e os bons não precisam de médico, já tem seu dinheiro, sua autoestima exacerbada, já tem sua religião, são bons, são gente boa.

“E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento.” Marcos 2.17

O Senhor que é médico vem para os enfermos, os que estão doentes.
Você se sente enfermo espiritualmente?
Você se sente morto espiritualmente?
Você se acha um pecador miserável?
Não precisa fingir a resposta, seja honesto em seus pensamentos, eu não estou te vendo.
Se você está numa situação de pecado miserável... então há uma esperança, existe um Salvador, que já fez e fará tudo por ti.
Se aproxime Dele.
O Evangelho fará sentido para você.

Feche a porta do teu quarto e em secreto, sem ninguém ver, derrame teu coração e tuas angústias diante Dele. Ele não é surdo e escutará cada palavra.

“Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.” Mateus 6.6.

Fale as palavras que quiser, mas o espírito deve ser de sincero arrependimento, as lágrimas devem ser verdadeiras, o tema mais ou menos este: “... Senhor, tem piedade de mim; sara a minha alma, porque pequei contra ti...” Salmos 41.4

Depois crie o hábito de ler a Sua Palavra, e medite nela, eu recomendo que inicie pelo Evangelho de João.
O resto o Espírito Santo fará no tempo oportuno.

“... ninguém pode vir a Mim, se por meu Pai não lhe for concedido...” João 6.65
“... e o que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora...” João 6.37
“... e ninguém o arrebatará da Minha mão...” João 10.28
“... e Eu o ressuscitarei no último dia...” João 6.44

Se você se acha gente boa, vá curtir a sua vida.
Se você se acha um pecador miserável, se aproxime de Deus, hoje é tempo oportuno!

“Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda.” Apocalipse 22.11

sábado, 11 de agosto de 2007

A história de um nocaute

Deus tem multíplas e infinitas formas e todas criativas para fazer chegar o Seu Evangelho aos seus eleitos.

No meu caso, o entendimento do Evangelho foi por caminhos inesperados para mim.
Me considero hoje, um ex-arminiano que foi nocauteado pelo Evangelho reformado.

Tudo começou quando um grande amigo meu, que trabalhava comigo, onde fazíamos juntos caminhadas pela empresa nos horários de folga e conversávamos de tudo, e depois de um tempo ele me conhecia relativamente bem.

Um dia de pronto, ele me perguntou ao cruzar pelo corredor: “... meu caro, como está a tua vida espiritual?”.

Naquele dia eu estava na “carne”, quase que no “osso”, e lhe disse: “... olha colega, francamente eu só não apostatei ainda porque eu sei que não existe outro caminho, mas a minha vida espiritual está naquela gangorra de altos e baixos que eu não aguento mais...”

Ele disse então: “... então tu precisas ler um livrinho que eu li recentemente, que inverte tudo, e coloca a responsabilidade da nossa salvação em Deus e não em nós, dá uma lida e veja se tu entendes outra coisa, ou se é isto mesmo que eu entendi.”

Naturalmente cético, pedi que me trouxesse o livro, e o li.

A leitura deste livro me “desviou” dos caminhos sinergistas.
E o interessante é que o autor era sinergista.

Neste livro aprendi o “Evangelho da Graça”.
Deus salva gratuitamente a quem ele quer.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” Efésios 2.8

O livrinho era “A vida que vence” de Watchman Nee.
Incrível que quando limitados por um paradigma lemos as escrituras muitas vezes, e sempre entendemos da mesma maneira, ou seja, da maneira que queremos entender, ou da maneira que o nosso contexto permite que se entenda.

Este pequeno livro quebrou este paradigma em mim.
Passei a meditar o tempo todo sobre Graça, tipo assim: “... mas Ele que me deu de graça... ... mas Ele que pela Graça me salvou... ... mas isto não veio de mim, veio Dele... ... então por que Ele não dá a Graça para todos?” e assim por diante.

Li muito Watchman Nee nesta época, e acabei retendo como prediletos os ensinos dos primeiros 3 ou 4 capítulos do livro “A vida cristã normal”, que de certa forma sintetizavam o Evangelho da Graça.

Do “Evangelho da Graça” para o “Evangelho da Eleição” foi um pulinho.

Depois de tanto remoer o assunto eu cheguei a conclusão que se Deus não tivesse me salvado pela Graça e me alcançado por ela, eu nunca teria crido para salvação, então conclui, como Deus não dá a Graça a todas as pessoas, de alguma forma havia uma escolha da parte Dele.

“Coincidentemente” recebi nesta época um outro pequeno livrinho.
De livrinho em livrinho, Deus parece que foi descontruíndo todo o paradigma que o sinergismo tinha construído na minha forma de ler as escrituras.

Que livro... que mensagem... lá estava eu cada vez mais “desviado”, cada vez mais encantado com o poder do Evangelho de resgatar pecadores incapazes de crer.

Neste livro aprendi o “Evangelho da Eleição”.
Deus elege pecadores para salvar, segundo a Sua escolha, e isto antes da fundação do mundo.
“... antes participa das aflições do evangelho segundo o PODER DE DEUS, que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que NOS FOI DADA em Cristo Jesus ANTES DOS TEMPOS DOS SÉCULOS.” 2. Timóteo 1.8-9.

O livrinho era “Eleição” de Charles Spurgeon.
Notável que uma pregação (transcrita neste livro), feita numa manhã de domingo em 2 de setembro de 1855, ainda pode falar ao meu coração, mesmo anos depois de o pregador já ter morrido.

Nesta altura do “campeonato” eu já estava deliciado.
Tinha entendido e experimentado emocionalmente o impacto da Graça.
Tinha entendido que a Graça se dá pela Eleição imerecida por minha parte, e feita por Deus em tempos eternos.

Saber que Deus antes da fundação do mundo, pensou em mim para salvação, dá vontade de gritar, sair correndo, respirar mais devagar, jogar tudo para o alto, e viver com uma nova perspectiva pois: a vida passa a fazer sentido. O vazio se vai. A alma se enche da sensação de se estar no lugar certo, na hora certa. Estou nas mãos de Deus, mesmo que aos olhos dos outros seja um medíocre qualquer, pouco importa.... Deus me elegeu antes da fundação do mundo para salvação. Ufa. Louvado seja Deus.

Passei a incomodar os meus conhecidos mais próximos, pregava eleição em tudo quanto é lugar, e de qualquer forma. Devo ter sido muito odiado naquela época.

Logo depois, outro livrinho caiu na minha mão, desta vez pelas mãos de um tio muito amigo meu.
Este livrinhos, acabaram com a minha vida de arminiano.
Nenhum deles tinha mais de 30 páginas, mas ao término da leitura eu era outro sempre.

Neste livro aprendi o “Evangelho Reformado” ou “Evangelho Calvinista”.
Li na primeira página do livro como criam os irmãos arminianos, nome este, apesar de ter nascido numa igreja evangélica, que eu nunca tinha ouvido. Arminius? Arminianos? Que era isto?
Prontamente identifiquei que o que eu cria como sendo a teologia correta, rapidamente identifiquei que o que eu cria como sendo o evangelho de forma sistematizada, era o que estava rapidamente resumido naquela primeira folha.
O problema é que o autor dizia que este era um “novo evangelho” que não era de forma alguma “o antigo evangelho”, e que era um evangelho por se dizer assim “falso” ou misturado.
Como então? O que eu cria, estava errado?

Devorei o livro.

Foi o nocaute!
Conheci pela primeira vez os apelidados “cinco pontos do calvinismo”.
Tinha encontrado a “pérola” inestimável.
Tinha finalmente encontrado o tesouro.
Tinha finalmente entendido a mensagem do Evangelho.
O paradigma de ler a escritura sempre pela ótica do livro-arbítrio humano tinha ruído totalmente.
“Também o reino dos céus, é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo.” Mateus 13.44

O livrinho era “Os Cinco Pontos do Calvinismo” de W. J. Seaton

Recomecei a ler a Bíblia como um todo.
Com lápis de cor em mãos.
Pintava Amarelo para os versículos que exaltavam a soberania de Deus.
Pintava Azul para os versículos que ainda não conseguia explicar pois aparentemente ressaltavam a responsabilidade do homem que na época eu lia como livre-arbítrio, e não como arbítrio somente, ou vontade somente.

Passei a buscar “livrinhos”, e outros livros vieram as minhas mãos, agora não mais por acaso. Meu tio descobriu e me recomendou um site maravilhoso só com autores reformados:

http://www.monergismo.com/

E destaco entre os melhores dentre os que eu li, os seguintes livros:

“Por quem Cristo morreu?” de John Owen, o melhor título de livro que já vi “em inglês” que traduzido literalmente ficaria sendo como “A morte da morte na morte de Cristo”.

“Os eleitos de Deus” de R. C. Sproul

“O autor do pecado” de Vicent Cheung

“A soberania banida” de R. K. McGregor Wright

Meus caros, minha vida não foi mais a mesma.
Do ponto de vista emocional da minha comunhão com Deus.
Do ponto de vista prático da vida cristã nas coisas mais simples.
Do ponto de vista teológico no entendimento das escrituras.
Do ponto de vista evangelístico no sentido de pregação do Evangelho.

Por isto, que eu “encho a paciência” de vocês e lhes mando estes e-mail´s reflexões, que depois passei a publicar neste blog.

Minha oração é que todos vocês sejam também nocauteados pelo impacto da pregação do Evangelho como ele realmente é.

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois É O PODER DE DEUS PARA SALVAÇÃO de todo aquele que crê...” Romanos 1.16

Poder de Deus, e não poder do homem, pois até para crermos precisamos que a Graça nos alcance antes, e só então creremos.

domingo, 5 de agosto de 2007

Marionetes?

“Ó profundidade das riquezas tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a Ele, para que lhe seja recompensado? Porque Dele e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória pois, a Ele eternamente. Amém.” Romanos 11.33-36

Quando as pessoas entendem o Evangelho reformado, me dizem “... então somos marionetes?”

Lembro então que uma vez li uma pequena história, cuja referência já perdi, e lembrando dela é que faço esta reflexão.

O “causo” era de duas marionetes que embaixo da sombra de uma árvore, lá estavam a conversar.

Uma delas defendia com unhas e dentes dizendo “... claro que Deus não existe, afinal somos fruto de longos anos de evolução, antes éramos como os pequenos galhos desta árvore aqui, que um dia caíram por algum motivo aleatório, então estes ganhos foram jogados ao vento, e rolando foram moldando estes nossos braços como hoje são, as águas da chuva foram dando o acabamento refinado, até que bilhões de anos depois um dia juntaram nossos pedaços lentamente e aqui estamos... Deus não existe... Somos donos do nosso destino e o futuro são páginas em branco que nós preencheremos com o nosso livre arbítrio...”

A outra marionete retrucava “... para com isto, desde quando chacoalhar galhos de árvores por milhões de anos, vai resultar em marionetes com olhos, braços, boca e outras perfeições detalhadas de nós, depois de milhões de anos a chacoalhar galhos o máximo que se terá é galhos fraguimentados, isto é impossível... Deus o grande marceneiro é que nos criou e nos deu exatamente esta forma, e quando ele nos quer usar nos dá também os movimentos e o fazer e as atividades, tanto é verdade que se ele não vier nos buscar, marionetes que somos ficaremos aqui debaixo desta árvore sem poder nem nos mover. Deus existe meu amigo, e o nosso futuro e presente depende dele... acredite em mim...”

O debate se prolongava, e uma não conseguia convencer a outra...

Então no prédio da marcenaria ao fundo, próximo a árvore, uma voz distante pergunta “onde estão as duas marionetes que eu fiz hoje pela manhã?”, uma outra vós responde “... eu acho que as vi debaixo da árvore...”.

Uma porta se bate, o marceneiro se aproxima pega as duas marionetes nas mãos e as leva consigo...

“... porque sem Mim nada podeis fazer.” João 15.5b

É mais ou menos assim que eu lembro da história.
A minha reflexão é: somos, nós humanos, assim como as marionetes?
Se não temos livre arbítrio, então somos controlados como aquelas?

Lamento informar que o caso é muito pior, pois o controle que um marceneiro tem sobre a marionete que criou, é infinitamente inferior ao controle que Deus soberano, e todo-poderoso Deus tem sobre as suas criaturas.

“Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” Romanos 9.21

A diferença é claro existe, marionetes não têm vontade, não conversam como estas da história, e nós humanos pensamos, existimos, vivemos, somos responsáveis, amamos, choramos, morremos... mas no controle, Deus é a causa de todas as coisas, ele é antes de todos os pensamentos, antes de todas as ações, e estamos todos na palma da sua poderosa mão.

“E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.” Colossenses 1.17

Quem pode ir contra um tão grande Deus?
Louvado seja Ele porque escolheu para Si, um povo eleito, chamado, justificado e santificado para o louvor da Sua Glória.

“Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus.” 2 Coríntios 3.5

Naturalmente que se você tem uma formação cristã influenciada pelo humanismo e pela valorização autônoma do homem, não vai concordar comigo, mas difícil missão você tem pois adora um deus que é limitado, pois adora um deus que precisa esperar que o homem faça suas livres escolhas para depois saber o que deverá fazer, ou seja, o seu deus não sabe o futuro nos mínimos detalhes pois você achando que não é uma marionete ainda nem escolheu o que vai fazer, então nem deus poderia conhecer este pequeno futuro que o teu livre-arbítrio determinará.

Este é o Deus da Bíblia? De maneira nenhuma, pois o Deus da Bíblia é onisciente, Ele sabe todas as coisas antes de acontecerem, e por isto que as tuas escolhas já estão predeterminadas na mente Dele.

Difícil não? Que Deus você adora? O Deus onisciente, ou um deus soberanamente limitado pelo teu livre-arbítrio?