Nota de esclarecimento: Parece que na virada deste ano, será dado um prêmio milionário nunca antes feito com tal montante, mais de 100 milhões de reais para um ou vários supostamente felizardos. Pensando neste prêmio, escrevi a reflexão abaixo.
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Sacia-me Senhor com a tua Graça.
Espere eu somente em Ti.
Não esteja o meu sonho numa loteria de milhões.
"Então, Ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo." 2 Coríntios 12.9
Não esteja dividido o meu coração entre ganhar milhões na loteria e me tornar escravo de Mamom o deus das riquezas.
Esteja eu bem seguro dependendo absolutamente e unicamente de Ti.
Posso até ficar rico, mas isto não deve ser o objetivo da minha vida e o meu pensamento constante.
"Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus a e Mamom (riquezas)." Lucas 16.13
É na fraqueza que percebo que a tua Graça me basta.
É no aparente desamparo que aprendo que melhor é depender única e exclusivamente de Ti.
Quanto mais seguro me sinto, mais me afasto de Ti.
"Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." Mateus 6.31-33
Sacia-me Senhor com o teu favor.
Não me deixe ser como mais um que advogue da boca para fora que Tu és Senhor e Salvador, e na verdade, depois me volte correndo para as loterias para garantir o meu futuro.
O muito dinheiro e o muito poder me assustam. A minha garantia de futuro és Tu.
"O Senhor é o meu pastor, Ele me basta." Salmos 23.1
Nem muito, nem pouco é o conselho da Tua Palavra.
Sacia-me Senhor e aquieta a minha alma para viver o presente com sabedoria.
Seja o meu Bom Pastor e me guie mansamente rumo a águas tranqüilas.
"Não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume". Provérbios 30.8b
Leio a biografia de grandes homens e notáveis empreendedores.
Mas vejo neles muita sede, muito vazio, muita ansiedade.
Todos correndo atrás do vento, certos de que são os construtores autônomos das suas existências.
"Não te fatigues para enriqueceres; e não apliques nisso a tua sabedoria. Porventura fixarás os teus olhos naquilo que não é nada?" Provérbios 23.4-5a
Dá-me boa e ponderada porção daquilo que planejaste para mim antes da fundação do mundo.
Dá-me um coração grato para reconhecer que o que tenho é o suficiente.
Não me faça agir como criança mimada e ingrata que sempre deseja mais, mais, e mais.
"Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco quer muito, mas a fartura do rico não o deixa dormir." Eclesiastes 5.12
Sacia-me Senhor com a tua Graça e aquieta o meu coração.
Ensina-me que Tu és Deus, dono do ouro e da prata.
Torna latente e sempre presente na minha mente que primeiro devo buscar-Te.
"Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus." Salmos 46.10a
Que eu tenha a capacidade de Te ver no pouco.
Observar-Te pela Tua criação, pela beleza das coisas simples.
Esteja quieto meu coração e satisfeito com o Teu cuidado para comigo.
"Não temas, porque Eu sou contigo; não te assombres, porque Eu sou teu Deus; Eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça." Isaias 41.10
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Honrando um amigo
Desde que passei a trilhar pelos caminhos da tecnologia e dos blogs, criei alguns novos amigos virtuais, e com os quais passei a trocar correspondências.
De todos eles, sem dúvida nenhuma, o meu amigo Jorge foi o que mais se dedicou gratuitamente para me dar atenção.
Ele tem um ótimo "defeito": Gosta de escrever longas cartas... risos... o que para mim é uma delícia, pois eu gosto de ler e também de responder e escrever longos e-mails.
Assim se juntou "a fome com a vontade de comer", e passamos a trocar dúvidas e a "brigar" por longos e-mails, ou comentários no blog dele e no meu.
Em honra ao meu amigo Jorge, com a devida autorização, publico seu texto abaixo, que espero, será lido no futuro com carinho pelos meus filhos e descendentes.
É um texto profundo, teológico, e que eu recomendo a leitura com carinho.
Grande abraço ao Jorge.
Boa leitura aos demais.
Natan
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Mysterium Compatibilista
Por Jorge Fernandes Isah.
Em 18 de novembro de 2009.
Retirado com autorização do sítio http://kalamo.blogspot.com/2009/11/mysterium-compatibilista.html
Uma definição pomposa para o compatibilismo é a expressão "concursus" divino, presente em muitos livros de T. S. e que tratam da providência divina. O que o termo quer dizer? Simplificando, seria a forma ou maneira com que Deus colabora e concorre para que as coisas no mundo andem conforme a Sua vontade estabelecida no decreto eterno.
Há porém um componente desastroso nessa definição, a de que, ainda que as criaturas de Deus obedeçam-nO infalivelmente, permanecem livres para realizar a Sua vontade infalível. Isso é o velho e antibíblico compatibilismo que dá ao homem, inexplicavelmente, a liberdade de agir segundo a vontade de Deus. Mas vemos aqui outro sério problema. Tendo-se em vista a natureza humana (ainda que regenerada) direcionando-se à rebeldia, como o homem pode livremente cumprir a vontade divina? Não é interessante que essa liberdade é utilizada apenas para cumprir o decreto divino? Se é liberdade, não se deve pressupor que o homem poderá utilizá-la para não cumprir a vontade de Deus? Ou seja, onde está realmente essa liberdade decantada se o homem é livre apenas para cumprir aquilo que Deus predestinou na eternidade? A conclusão é somente uma: o homem não é livre em nenhum aspecto e de nenhuma forma de Deus.
Sinceramente, tenho toda a dificuldade do mundo para entender o compatibilismo ou o "concursus" divino, principalmente porque não vi até agora uma explicação plausível e lúcida sobre a questão.
Os autores geralmente entram em uma densa neblina onde não se vê um palmo à frente do nariz, e dizem apreciar a vista, como se vissem o que não pode ser visto.
Depois de toda a explicação acerca da soberania de Deus, de Deus determinar, da vontade soberana de Deus não poder ser frustrada, de que tudo aquilo que Ele decretou na eternidade ocorrerá, para justificar a responsabilidade humana, os teólogos aparecem com a tal da liberdade do homem, a qual nem mesmo eles sabem o que seja. É como a vaca que deu 60 litros de leite e depois coiceou o balde. Tudo o que disseram sobre a soberania de Deus caiu por terra quando se aventou a possibilidade do homem ser livre.
Alguns recuam um pouco mais do que outros, mas, no fim das contas, estão sempre andando para trás.
Há os que afirmam a liberdade completa do homem, o famigerado livre-arbítrio, visto não haver a menor possibilidade das escolhas serem livres, ainda mais que a neutralidade é um dos seus pressupostos, e não há como o homem escolher sem que haja uma mínima influência em suas decisões; o homem não se decide sem algum tipo de coerção (física, moral, espiritual). Acreditar no livre-arbítrio é o maior e pior de todos os delírios. Qualquer pessoa que tenha algum entendimento saberá que nada acontece com isenção neste mundo, pois nossas decisões são influenciadas e influenciáveis, desde a escolha da compra de um sabonete até o infringir a Lei Moral e se rebelar contra Deus.
Os compatibilistas são os que andam um pouco mais lentamente para trás. Ainda assim crêem numa espécie de livre-arbítrio que, contudo, é controlado por Deus (como calvinistas não aceitam o termo livre-arbítrio, em decorrência das implicações ilógicas e irracionais que acarreta, substituem-no por livre-agência, liberdade compartilhada, etc).
Para mim, é quase a mesma coisa, variando apenas no grau de liberdade que se queira dar. Porém, o fato de diminui-la não a corrobora, mantendo-a no campo da ilusão, do delírio, da utopia, da intangibilidade, uma falácia em letras garrafais.
Fica uma pergunta: como o homem pode ser livre (e aqui não importa o grau ou o nível de liberdade) se a vontade de Deus acontecerá sempre, da forma como Ele planejou? Como posso ser um livre-agente? E quais os critérios reais para se definir a palavra liberdade?
Vejam a confusão que um eminente teólogo procedeu: "Não há ato humano que seja feito contra a vontade humana e nunca a liberdade humana é tirada. Todavia, os atos do ser humano não são independentes, mas sempre conectados a uma vontade maior que é a divina, a causa primeira"[1].
Primeiro: o que é vontade humana? E liberdade humana? Podem estas expressões se harmonizar com "não são independentes, mas sempre conectados a uma vontade maior que é a divina"?
Segundo: há uma incoerência gritante no que se está a afirmar. Se são livres, são independentes; e não estão conectados a uma vontade maior, a causa primeira. Se a vontade divina é a causa primeira, a vontade humana é secundária, dependente da primeira, logo, não é independente e nunca se processará derivada da liberdade humana, que no caso estará sujeita à vontade primeira. O que o autor faz é um mero jogo de palavras, que não dizem absolutamente nada do ponto de vista factual.
Terceiro: para isso, o homem teria de ser livre de Deus. E, portanto, Deus não poderia ser o Deus bíblico que é. Poderia ser qualquer outra coisa, menos o Deus da Escritura. E se Deus não é o Deus bíblico, a Escritura falha em revelá-lO. E seremos responsabilizados diante dEle por afirmar tamanho disparate, insano e reprovável, ainda que seja uma acertiva subliminar, irreconhecida formalmente pelo indivíduo, mas latente em seu subconsciente. Permanece a pergunta: como o homem pode ser livre e ainda assim a soberania de Deus manter-se intacta? Ou se Deus é completamente soberano como o homem pode alegar ser livre? Novamente, reafirmo: é impossível que o homem seja livre de Deus, se Deus é soberano.
A confusão inicia-se quando há a tentativa de se explicar a relação entre soberania divina e responsabilidade humana. Alheio ao texto bíblico, busca-se desenvolver a idéia de liberdade controlada do homem, algo tão sem pé e sem cabeça que leva teólogos a verdadeiros malabarismos retóricos, porém, contraditórios, e que comprometem o verdadeiro objetivo da Escritura, ao misturar partes dela com a filosofia humanista, de forte apelo mesmo entre homens tementes e reverentes a Deus. E o cúmulo dessa inconsequência é a proposição de que o princípio bíblico da responsabilidade está ligado à liberdade. Mas onde mesmo está isso?
Como não há respaldo bíblico, apelam para a Confissão de Fé de Westminster, em sua seção III, 1-2; e aumentam ainda mais a confusão com termos como causa primária, última e secundária (os quais não conseguem definir satisfatoriamente, nem mesmo a área de atuação entre si). Para depois de tanta intrusão e verborrágia afirmar-se: "Contudo, é preciso lembrar que o modo como essa relação entre a causa primária e as causas secundárias se processa é ainda um MISTÉRIO para nós. Nós a chamamos concursus, mas não sabemos com muita propriedade o modus operandi de Deus" (Grifo meu) [2].
Ou seja, no final, a resposta mais objetiva que se consegue é a de que a relação entre a soberania de Deus e a liberdade humana não passa de um mistério, algo obscuro, intricado, insondável, inexpugnável. Porém, até aqui, páginas e mais páginas foram escritas para explicar o inexplicável, e o leitor mais atento estará se perguntando: de que adianta este livro?
E caberia ao autor perguntar: De que vale o que escrevi?
Já afirmei em outros textos sobre a relação da soberania de Deus e a responsabilidade humana que ela está centrada e estabelecida na autoridade divina, ou seja, no poder e direito que somente Deus tem sobre a Sua criação. O arbítrio aqui é dEle apenas. Às criaturas cabem obedecê-lo, quer queiram ou não. Portanto, o fato do homem ser responsável pelos seus atos está firmado não na suposta liberdade que o homem tem de escolha, mas no direito que Deus tem de julgar o homem e fazê-lo responsável por Sua autoridade de Criador, Legislador, Governante e Juiz de todo o universo. É simples. O princípio é de que Deus pode fazer o que quiser, e ao estabelecer que o homem será responsável mesmo sem ser livre, a Sua justiça, santidade e perfeição continuam intocáveis. Pois como Paulo disse: "Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma... Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?" (Rm 9.14, 20).
Não há na Bíblia nenhuma afirmação de que o fato de Deus ser o criador do mal ou do pecado o transforma em pecador ou maquiavélico. Como Criador é-lhe permitido fazer tudo o que bem queira e entenda segundo a Sua vontade, e a Escritura é clara em afirmar que tudo o que Deus faz é bom (mesmo o mal e o pecado). Infelizmente as pessoas querem ter uma espécie de jurisdição sobre Deus, como se Ele estivesse "preso" à vontade humana ou às leis do homem. Apenas a contaminação com o humanismo pode gerar esse tipo de suspeita ou a necessidade de se defender Deus daquilo que criou para a Sua glória, e da qual devemos tão somente aceitar e nos subjugar.
Como a falsa premissa da liberdade humana contamina a interpretação da Bíblia, a maioria das pessoas finge não ler os versículos onde Deus se coloca como aquele que criou tanto o bem como o mal; e se para Deus não há problema algum em declarar isso, por que tem de haver para nós? Deus precisa de defesa? Se precisa, de quem? Há algo acima ou mesmo no seu nível? Quem pode acuar, coagir ou impedi-lO de realizar a Sua vontade? Este é o princípio máximo da Escritura, e da qual os homens lutam insanamente para derrubar: Deus não nos deve nenhuma satisfação, e tudo o que faz é perfeito e santo. Em nossa imperfeição e humanidade, resta apenas submeter-nos à verdade bíblica inexorável, sem nos fatigar e nos entregar a uma luta impossível e estúpida.
Então vêem um sem número de pessoas querer protegê-lO, ignorando a Escritura, misturando-a com conceitos antropocêntricos, desandando a falar asneiras, ainda que com ar de sofisticação e intelectualidade, causando uma confusão dos "diabos": "Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?" (1Co 1.19-20).
Concluirei com uma sinopse, para o caso de não ter sido suficientemente explícito:
1) Deus é o Criador, Senhor, Legislador e Juiz de todo o universo. "Porque nele (Cristo) foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele" (Cl 1.16-17).
2) Deus é soberano. "Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras" (At.15.18).
3) Deus determina e estabelece tudo o que ocorrerá. Nem mesmo uma folha cai da árvore sem que Deus queira. "Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? e nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados" (Mt 10.29-30).
4) Nada acontece sem que Deus mova suas criaturas para concretizá-la. "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13).
5) O homem não é livre de Deus (se fosse livre, seria uma força antagônica a Ele e autocriada).
6) O homem é responsável por seus atos (por definição escriturística). "A alma que pecar, essa morrerá... na sua transgressão com que transgrediu, e no seu pecado com que pecou, neles morrerá" (Ez 18.20, 24).
7) A responsabilidade nada tem a ver com liberdade, mas com a autoridade divina, o direito que tem como Criador de sujeitar a criação conforme a Sua vontade.
8) Deus não precisa de defesa. "Ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou a tua obra: Não tens mãos?" (Is 45.9).
9) Ele mesmo se revela na Escritura como o criador ("fazedor", idealizador) tanto do bem como do mal; e nenhum pecado pode ser-lhe imputado porque Deus não peca por definição, e o pecado é algo que está "abaixo" de Deus, em um nível inferior a Ele. "Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas" (Is 45.7).
10) O pecado e o mal estão no nível das criaturas de Deus, como coisas criadas; portanto, não podem sujeitá-lO, antes o Senhor é quem as sujeitou conforme a Sua bendita vontade.
Estas são definições entre o bem e o mal, entre a soberania de Deus e a responsabilidade do homem, do ponto de vista bíblico. Qualquer outra coisa que se queira advogar como, por exemplo, o compatibilismo, estará no campo do estritamente humano. Portanto, falível e extrabíblico.
Notas:
[1] - "A Providência e a sua realização histórica" - Dr. Heber Carlos Campos - Ed. Cultura Cristã - pg. 267 [excetuando-se a questão da compatibilidade, o restante do livro é essencial para o entendimento da doutrina da providência].
[2] - Idem - pg. 270
De todos eles, sem dúvida nenhuma, o meu amigo Jorge foi o que mais se dedicou gratuitamente para me dar atenção.
Ele tem um ótimo "defeito": Gosta de escrever longas cartas... risos... o que para mim é uma delícia, pois eu gosto de ler e também de responder e escrever longos e-mails.
Assim se juntou "a fome com a vontade de comer", e passamos a trocar dúvidas e a "brigar" por longos e-mails, ou comentários no blog dele e no meu.
Em honra ao meu amigo Jorge, com a devida autorização, publico seu texto abaixo, que espero, será lido no futuro com carinho pelos meus filhos e descendentes.
É um texto profundo, teológico, e que eu recomendo a leitura com carinho.
Grande abraço ao Jorge.
Boa leitura aos demais.
Natan
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Mysterium Compatibilista
Por Jorge Fernandes Isah.
Em 18 de novembro de 2009.
Retirado com autorização do sítio http://kalamo.blogspot.com/2009/11/mysterium-compatibilista.html
Uma definição pomposa para o compatibilismo é a expressão "concursus" divino, presente em muitos livros de T. S. e que tratam da providência divina. O que o termo quer dizer? Simplificando, seria a forma ou maneira com que Deus colabora e concorre para que as coisas no mundo andem conforme a Sua vontade estabelecida no decreto eterno.
Há porém um componente desastroso nessa definição, a de que, ainda que as criaturas de Deus obedeçam-nO infalivelmente, permanecem livres para realizar a Sua vontade infalível. Isso é o velho e antibíblico compatibilismo que dá ao homem, inexplicavelmente, a liberdade de agir segundo a vontade de Deus. Mas vemos aqui outro sério problema. Tendo-se em vista a natureza humana (ainda que regenerada) direcionando-se à rebeldia, como o homem pode livremente cumprir a vontade divina? Não é interessante que essa liberdade é utilizada apenas para cumprir o decreto divino? Se é liberdade, não se deve pressupor que o homem poderá utilizá-la para não cumprir a vontade de Deus? Ou seja, onde está realmente essa liberdade decantada se o homem é livre apenas para cumprir aquilo que Deus predestinou na eternidade? A conclusão é somente uma: o homem não é livre em nenhum aspecto e de nenhuma forma de Deus.
Sinceramente, tenho toda a dificuldade do mundo para entender o compatibilismo ou o "concursus" divino, principalmente porque não vi até agora uma explicação plausível e lúcida sobre a questão.
Os autores geralmente entram em uma densa neblina onde não se vê um palmo à frente do nariz, e dizem apreciar a vista, como se vissem o que não pode ser visto.
Depois de toda a explicação acerca da soberania de Deus, de Deus determinar, da vontade soberana de Deus não poder ser frustrada, de que tudo aquilo que Ele decretou na eternidade ocorrerá, para justificar a responsabilidade humana, os teólogos aparecem com a tal da liberdade do homem, a qual nem mesmo eles sabem o que seja. É como a vaca que deu 60 litros de leite e depois coiceou o balde. Tudo o que disseram sobre a soberania de Deus caiu por terra quando se aventou a possibilidade do homem ser livre.
Alguns recuam um pouco mais do que outros, mas, no fim das contas, estão sempre andando para trás.
Há os que afirmam a liberdade completa do homem, o famigerado livre-arbítrio, visto não haver a menor possibilidade das escolhas serem livres, ainda mais que a neutralidade é um dos seus pressupostos, e não há como o homem escolher sem que haja uma mínima influência em suas decisões; o homem não se decide sem algum tipo de coerção (física, moral, espiritual). Acreditar no livre-arbítrio é o maior e pior de todos os delírios. Qualquer pessoa que tenha algum entendimento saberá que nada acontece com isenção neste mundo, pois nossas decisões são influenciadas e influenciáveis, desde a escolha da compra de um sabonete até o infringir a Lei Moral e se rebelar contra Deus.
Os compatibilistas são os que andam um pouco mais lentamente para trás. Ainda assim crêem numa espécie de livre-arbítrio que, contudo, é controlado por Deus (como calvinistas não aceitam o termo livre-arbítrio, em decorrência das implicações ilógicas e irracionais que acarreta, substituem-no por livre-agência, liberdade compartilhada, etc).
Para mim, é quase a mesma coisa, variando apenas no grau de liberdade que se queira dar. Porém, o fato de diminui-la não a corrobora, mantendo-a no campo da ilusão, do delírio, da utopia, da intangibilidade, uma falácia em letras garrafais.
Fica uma pergunta: como o homem pode ser livre (e aqui não importa o grau ou o nível de liberdade) se a vontade de Deus acontecerá sempre, da forma como Ele planejou? Como posso ser um livre-agente? E quais os critérios reais para se definir a palavra liberdade?
Vejam a confusão que um eminente teólogo procedeu: "Não há ato humano que seja feito contra a vontade humana e nunca a liberdade humana é tirada. Todavia, os atos do ser humano não são independentes, mas sempre conectados a uma vontade maior que é a divina, a causa primeira"[1].
Primeiro: o que é vontade humana? E liberdade humana? Podem estas expressões se harmonizar com "não são independentes, mas sempre conectados a uma vontade maior que é a divina"?
Segundo: há uma incoerência gritante no que se está a afirmar. Se são livres, são independentes; e não estão conectados a uma vontade maior, a causa primeira. Se a vontade divina é a causa primeira, a vontade humana é secundária, dependente da primeira, logo, não é independente e nunca se processará derivada da liberdade humana, que no caso estará sujeita à vontade primeira. O que o autor faz é um mero jogo de palavras, que não dizem absolutamente nada do ponto de vista factual.
Terceiro: para isso, o homem teria de ser livre de Deus. E, portanto, Deus não poderia ser o Deus bíblico que é. Poderia ser qualquer outra coisa, menos o Deus da Escritura. E se Deus não é o Deus bíblico, a Escritura falha em revelá-lO. E seremos responsabilizados diante dEle por afirmar tamanho disparate, insano e reprovável, ainda que seja uma acertiva subliminar, irreconhecida formalmente pelo indivíduo, mas latente em seu subconsciente. Permanece a pergunta: como o homem pode ser livre e ainda assim a soberania de Deus manter-se intacta? Ou se Deus é completamente soberano como o homem pode alegar ser livre? Novamente, reafirmo: é impossível que o homem seja livre de Deus, se Deus é soberano.
A confusão inicia-se quando há a tentativa de se explicar a relação entre soberania divina e responsabilidade humana. Alheio ao texto bíblico, busca-se desenvolver a idéia de liberdade controlada do homem, algo tão sem pé e sem cabeça que leva teólogos a verdadeiros malabarismos retóricos, porém, contraditórios, e que comprometem o verdadeiro objetivo da Escritura, ao misturar partes dela com a filosofia humanista, de forte apelo mesmo entre homens tementes e reverentes a Deus. E o cúmulo dessa inconsequência é a proposição de que o princípio bíblico da responsabilidade está ligado à liberdade. Mas onde mesmo está isso?
Como não há respaldo bíblico, apelam para a Confissão de Fé de Westminster, em sua seção III, 1-2; e aumentam ainda mais a confusão com termos como causa primária, última e secundária (os quais não conseguem definir satisfatoriamente, nem mesmo a área de atuação entre si). Para depois de tanta intrusão e verborrágia afirmar-se: "Contudo, é preciso lembrar que o modo como essa relação entre a causa primária e as causas secundárias se processa é ainda um MISTÉRIO para nós. Nós a chamamos concursus, mas não sabemos com muita propriedade o modus operandi de Deus" (Grifo meu) [2].
Ou seja, no final, a resposta mais objetiva que se consegue é a de que a relação entre a soberania de Deus e a liberdade humana não passa de um mistério, algo obscuro, intricado, insondável, inexpugnável. Porém, até aqui, páginas e mais páginas foram escritas para explicar o inexplicável, e o leitor mais atento estará se perguntando: de que adianta este livro?
E caberia ao autor perguntar: De que vale o que escrevi?
Já afirmei em outros textos sobre a relação da soberania de Deus e a responsabilidade humana que ela está centrada e estabelecida na autoridade divina, ou seja, no poder e direito que somente Deus tem sobre a Sua criação. O arbítrio aqui é dEle apenas. Às criaturas cabem obedecê-lo, quer queiram ou não. Portanto, o fato do homem ser responsável pelos seus atos está firmado não na suposta liberdade que o homem tem de escolha, mas no direito que Deus tem de julgar o homem e fazê-lo responsável por Sua autoridade de Criador, Legislador, Governante e Juiz de todo o universo. É simples. O princípio é de que Deus pode fazer o que quiser, e ao estabelecer que o homem será responsável mesmo sem ser livre, a Sua justiça, santidade e perfeição continuam intocáveis. Pois como Paulo disse: "Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma... Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?" (Rm 9.14, 20).
Não há na Bíblia nenhuma afirmação de que o fato de Deus ser o criador do mal ou do pecado o transforma em pecador ou maquiavélico. Como Criador é-lhe permitido fazer tudo o que bem queira e entenda segundo a Sua vontade, e a Escritura é clara em afirmar que tudo o que Deus faz é bom (mesmo o mal e o pecado). Infelizmente as pessoas querem ter uma espécie de jurisdição sobre Deus, como se Ele estivesse "preso" à vontade humana ou às leis do homem. Apenas a contaminação com o humanismo pode gerar esse tipo de suspeita ou a necessidade de se defender Deus daquilo que criou para a Sua glória, e da qual devemos tão somente aceitar e nos subjugar.
Como a falsa premissa da liberdade humana contamina a interpretação da Bíblia, a maioria das pessoas finge não ler os versículos onde Deus se coloca como aquele que criou tanto o bem como o mal; e se para Deus não há problema algum em declarar isso, por que tem de haver para nós? Deus precisa de defesa? Se precisa, de quem? Há algo acima ou mesmo no seu nível? Quem pode acuar, coagir ou impedi-lO de realizar a Sua vontade? Este é o princípio máximo da Escritura, e da qual os homens lutam insanamente para derrubar: Deus não nos deve nenhuma satisfação, e tudo o que faz é perfeito e santo. Em nossa imperfeição e humanidade, resta apenas submeter-nos à verdade bíblica inexorável, sem nos fatigar e nos entregar a uma luta impossível e estúpida.
Então vêem um sem número de pessoas querer protegê-lO, ignorando a Escritura, misturando-a com conceitos antropocêntricos, desandando a falar asneiras, ainda que com ar de sofisticação e intelectualidade, causando uma confusão dos "diabos": "Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?" (1Co 1.19-20).
Concluirei com uma sinopse, para o caso de não ter sido suficientemente explícito:
1) Deus é o Criador, Senhor, Legislador e Juiz de todo o universo. "Porque nele (Cristo) foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele" (Cl 1.16-17).
2) Deus é soberano. "Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras" (At.15.18).
3) Deus determina e estabelece tudo o que ocorrerá. Nem mesmo uma folha cai da árvore sem que Deus queira. "Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? e nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados" (Mt 10.29-30).
4) Nada acontece sem que Deus mova suas criaturas para concretizá-la. "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13).
5) O homem não é livre de Deus (se fosse livre, seria uma força antagônica a Ele e autocriada).
6) O homem é responsável por seus atos (por definição escriturística). "A alma que pecar, essa morrerá... na sua transgressão com que transgrediu, e no seu pecado com que pecou, neles morrerá" (Ez 18.20, 24).
7) A responsabilidade nada tem a ver com liberdade, mas com a autoridade divina, o direito que tem como Criador de sujeitar a criação conforme a Sua vontade.
8) Deus não precisa de defesa. "Ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou a tua obra: Não tens mãos?" (Is 45.9).
9) Ele mesmo se revela na Escritura como o criador ("fazedor", idealizador) tanto do bem como do mal; e nenhum pecado pode ser-lhe imputado porque Deus não peca por definição, e o pecado é algo que está "abaixo" de Deus, em um nível inferior a Ele. "Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas" (Is 45.7).
10) O pecado e o mal estão no nível das criaturas de Deus, como coisas criadas; portanto, não podem sujeitá-lO, antes o Senhor é quem as sujeitou conforme a Sua bendita vontade.
Estas são definições entre o bem e o mal, entre a soberania de Deus e a responsabilidade do homem, do ponto de vista bíblico. Qualquer outra coisa que se queira advogar como, por exemplo, o compatibilismo, estará no campo do estritamente humano. Portanto, falível e extrabíblico.
Notas:
[1] - "A Providência e a sua realização histórica" - Dr. Heber Carlos Campos - Ed. Cultura Cristã - pg. 267 [excetuando-se a questão da compatibilidade, o restante do livro é essencial para o entendimento da doutrina da providência].
[2] - Idem - pg. 270
domingo, 6 de dezembro de 2009
A porta estreita
"Então, disse Natã a Davi: Tu és o homem. Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e eu te livrei das mãos de Saul; Dei-te a casa de teu senhor e as mulheres de teu senhor em teus braços e também te dei a casa de Israel e de Judá; E, SE ISTO FORA POUCO, EU TERIA ACRESCENTADO TAIS E TAIS COISAS. Por que, pois, desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que era mau perante ele? A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada dos filhos de Amom." 2 Samuel 12.7-9
A escritura é um livro cujos textos isolados não podem de forma alguma serem interpretados fora de contexto, e sem que antes os mesmos tenham sido harmonizados com outros que falem do mesmo assunto.
O texto acima é um exemplo disto, Davi tinha acabado de cair em adultério e Deus através do profeta Natã o estava repreendendo e mais ou menos lhe dizendo que se ele tivesse pedido mais esposas, Deus mesmo as teria dado... mas que de forma alguma ele poderia ter pego para si a mulher de Urias.
Isto significa que hoje, no tempo presente, poderemos fazer o mesmo tipo de oração?
É certo que muitos homens optariam em orar assim... "Dá-me mais esposas...".
Mas este texto é preciso ser contextualizado para uma época onde a poligamia era pacientemente suportada por Deus.
Depois aprendemos com o Senhor Jesus, que este não foi o propósito de Deus, e que o mesmo projetou o casamento monogâmico heterosexual (um homem e uma mulher).
"E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, se serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem." Mateus 19.5-6
Se pegarmos um texto isolado, teremos uma verdadeira aberração teológica, e se hoje o elemento abre a escritura e faz esta hipotética oração "Senhor, dá-me mais esposas..." certamente não será ouvido e se frustrará.
Da mesma forma muitos outros assuntos na escritura só se interpretam a partir da harmonização com outros textos, do contrário verdadeiras contradições surgirão.
Assim se dá para com o texto que diz que a porta da salvação é estreita... vejamos:
"Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem." Mateus 7.13-14.
Este texto precisa ser harmonizado com outros que dizem que o número de salvos será de milhões e milhões, na realidade de incontáveis pessoas de tantas que serão.
"Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência." Gênesis 13.16
Deus está falando aqui da descendência pela fé, como Paulo ensina em Romanos, não está falando da descendência de sangue.
"Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência." Romanos 9.8
Como harmonizar INCONTÁVEIS com a questão da PORTA ESTREITA da salvação?
Com harmonizar INCONTÁVEIS com o outro texto que fala que serão POUCOS os que acham o caminho?
Afinal serão INCONTÁVEIS ou POUCOS os que herdarão o Reino?
Você sabe responder a esta questão, se lhe perguntarem?
Pois bem, saiba que assim como de Davi até os nossos dias, o contexto de casamento é totalmente diferente... da mesma forma um "caminhão de distância" e significado separa o entendimento do texto que fala da porta estreita em relação aos dias de hoje.
É preciso ter-se em mente que quando o Reino estava ainda no seu início, e quando Jesus esteve aqui encarnado, o Reino havia chegado para poucas pessoas (eram poucos os nascidos de novo), o mundo literalmente jazia no maligno (como o escritor bíblico afirma), as nações ainda estavam debaixo do poder sedutor de Satanás em enganá-las e neste contexto e cenário histórico, é correto o que disse o Senhor quando fala "... apertado é o caminho...".
Mas sabemos por outros textos, que à medida que o Reino cresce e que à medida que a "conspiração do grão de mostarda" vai crescendo e se manifestando entre os homens, a influência direta e indireta do Evangelho vai se fazendo sentir e mais e mais pessoas vão sendo alcançadas pelo reino.
"E dizia: A que assemelharemos o reino de Deus? ou com que parábola o representaremos? É como um grão de mostarda, que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que há na terra; Mas, tendo sido semeado, cresce, e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra." Marcos 4.30-32
A semente do Evangelho quando foi plantada era pequenina, e neste tempo portanto, apertado era o caminho para a vida... mas a semente cresce...
Se na época de Jesus foi dito que estreita era a porta da salvação, hoje, para que as profecias possam se cumprir na totalidade quando falam do crescimento gradual do Reino, estas portas estão menos estreitas.
Povos, línguas e nações diferentes, já em número de milhões estão ouvindo, sendo vivificadas sobrenaturalmente pelo Espírito Santo, e sendo impactadas pela mensagem do Evangelho.
Parece ser ainda um pouco estreito, mas inegavelmente muito mais amplo que apenas os primeiros 12 apóstolos.
Hoje temos milhões de discípulos do Senhor Jesus, e não dá para dizer que milhões são poucos, hoje já vivemos uma realidade onde não são poucos os que encontram o caminho da porta da salvação.
E o futuro promete.
À medida que a igreja for entendendo a mensagem da "conspiração da semente de mostarda" e entender que o futuro da igreja será grandioso a tal ponto de se alastrar por todo o mundo, de tal forma que todas as famílias das nações se converterão ao Senhor...
"Olhai para mim, se sereis salvos, vós, TODOS OS TERMOS DA TERRA; porque eu sou Deus, e não há outro." Isaías 45.22
... chegará um dia no futuro, que diferente de quando o Senhor disse que era estreito e que poucos encontravam o caminho, chegará o dia em que será correto dizer, que espaçoso é o caminho que conduz ao Senhor e muitos (bilhões e bilhões) são os que trilharão por ele e o encontrarão.
"Deus nos abençoará, e todas as extremidades da terra o temerão." Salmos 67.7
No tempo de Davi, até seria correto orar "Senhor, dá-me mais esposas..." hoje não mais.
No tempo do Senhor Jesus, quando do início do Reino, era correto dizer que estreito era o caminho que conduzia ao céu... hoje não mais.
Chegará o dia em que o caminho da salvação será tão conhecido e tão abundantemente trilhado pelos homens, que um tentará evangelizar o outro, e o outro responderá "Não precisa me falar do Senhor, pois eu também já o conheço".
"E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados." Jeremias 31.34
"Pai nosso que está nos céus... venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu..."
Sempre que oramos "... venha o teu Reino..." de certa forma estamos dizendo... Senhor torna mais amplo e menos estreito o caminho que leva a Ti, traga salvação a mais e mais pessoas e não somente a poucos como quando do início do reino, para que a tua vontade seja cada vez mais realizada na terra (como também no céu).
Muitos serão chamados PARA SALVAÇÃO, e poucos escolhidos para PERDIÇÃO.
Hoje a oração correta é:
"Senhor ensina-me a amar a minha (única) esposa".
e ainda...
"Senhor faça crescer o teu Reino (venha o teu Reino) em todos os povos, tribos, línguas e nações."
A escritura é um livro cujos textos isolados não podem de forma alguma serem interpretados fora de contexto, e sem que antes os mesmos tenham sido harmonizados com outros que falem do mesmo assunto.
O texto acima é um exemplo disto, Davi tinha acabado de cair em adultério e Deus através do profeta Natã o estava repreendendo e mais ou menos lhe dizendo que se ele tivesse pedido mais esposas, Deus mesmo as teria dado... mas que de forma alguma ele poderia ter pego para si a mulher de Urias.
Isto significa que hoje, no tempo presente, poderemos fazer o mesmo tipo de oração?
É certo que muitos homens optariam em orar assim... "Dá-me mais esposas...".
Mas este texto é preciso ser contextualizado para uma época onde a poligamia era pacientemente suportada por Deus.
Depois aprendemos com o Senhor Jesus, que este não foi o propósito de Deus, e que o mesmo projetou o casamento monogâmico heterosexual (um homem e uma mulher).
"E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, se serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem." Mateus 19.5-6
Se pegarmos um texto isolado, teremos uma verdadeira aberração teológica, e se hoje o elemento abre a escritura e faz esta hipotética oração "Senhor, dá-me mais esposas..." certamente não será ouvido e se frustrará.
Da mesma forma muitos outros assuntos na escritura só se interpretam a partir da harmonização com outros textos, do contrário verdadeiras contradições surgirão.
Assim se dá para com o texto que diz que a porta da salvação é estreita... vejamos:
"Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem." Mateus 7.13-14.
Este texto precisa ser harmonizado com outros que dizem que o número de salvos será de milhões e milhões, na realidade de incontáveis pessoas de tantas que serão.
"Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência." Gênesis 13.16
Deus está falando aqui da descendência pela fé, como Paulo ensina em Romanos, não está falando da descendência de sangue.
"Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência." Romanos 9.8
Como harmonizar INCONTÁVEIS com a questão da PORTA ESTREITA da salvação?
Com harmonizar INCONTÁVEIS com o outro texto que fala que serão POUCOS os que acham o caminho?
Afinal serão INCONTÁVEIS ou POUCOS os que herdarão o Reino?
Você sabe responder a esta questão, se lhe perguntarem?
Pois bem, saiba que assim como de Davi até os nossos dias, o contexto de casamento é totalmente diferente... da mesma forma um "caminhão de distância" e significado separa o entendimento do texto que fala da porta estreita em relação aos dias de hoje.
É preciso ter-se em mente que quando o Reino estava ainda no seu início, e quando Jesus esteve aqui encarnado, o Reino havia chegado para poucas pessoas (eram poucos os nascidos de novo), o mundo literalmente jazia no maligno (como o escritor bíblico afirma), as nações ainda estavam debaixo do poder sedutor de Satanás em enganá-las e neste contexto e cenário histórico, é correto o que disse o Senhor quando fala "... apertado é o caminho...".
Mas sabemos por outros textos, que à medida que o Reino cresce e que à medida que a "conspiração do grão de mostarda" vai crescendo e se manifestando entre os homens, a influência direta e indireta do Evangelho vai se fazendo sentir e mais e mais pessoas vão sendo alcançadas pelo reino.
"E dizia: A que assemelharemos o reino de Deus? ou com que parábola o representaremos? É como um grão de mostarda, que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que há na terra; Mas, tendo sido semeado, cresce, e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra." Marcos 4.30-32
A semente do Evangelho quando foi plantada era pequenina, e neste tempo portanto, apertado era o caminho para a vida... mas a semente cresce...
Se na época de Jesus foi dito que estreita era a porta da salvação, hoje, para que as profecias possam se cumprir na totalidade quando falam do crescimento gradual do Reino, estas portas estão menos estreitas.
Povos, línguas e nações diferentes, já em número de milhões estão ouvindo, sendo vivificadas sobrenaturalmente pelo Espírito Santo, e sendo impactadas pela mensagem do Evangelho.
Parece ser ainda um pouco estreito, mas inegavelmente muito mais amplo que apenas os primeiros 12 apóstolos.
Hoje temos milhões de discípulos do Senhor Jesus, e não dá para dizer que milhões são poucos, hoje já vivemos uma realidade onde não são poucos os que encontram o caminho da porta da salvação.
E o futuro promete.
À medida que a igreja for entendendo a mensagem da "conspiração da semente de mostarda" e entender que o futuro da igreja será grandioso a tal ponto de se alastrar por todo o mundo, de tal forma que todas as famílias das nações se converterão ao Senhor...
"Olhai para mim, se sereis salvos, vós, TODOS OS TERMOS DA TERRA; porque eu sou Deus, e não há outro." Isaías 45.22
... chegará um dia no futuro, que diferente de quando o Senhor disse que era estreito e que poucos encontravam o caminho, chegará o dia em que será correto dizer, que espaçoso é o caminho que conduz ao Senhor e muitos (bilhões e bilhões) são os que trilharão por ele e o encontrarão.
"Deus nos abençoará, e todas as extremidades da terra o temerão." Salmos 67.7
No tempo de Davi, até seria correto orar "Senhor, dá-me mais esposas..." hoje não mais.
No tempo do Senhor Jesus, quando do início do Reino, era correto dizer que estreito era o caminho que conduzia ao céu... hoje não mais.
Chegará o dia em que o caminho da salvação será tão conhecido e tão abundantemente trilhado pelos homens, que um tentará evangelizar o outro, e o outro responderá "Não precisa me falar do Senhor, pois eu também já o conheço".
"E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados." Jeremias 31.34
"Pai nosso que está nos céus... venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu..."
Sempre que oramos "... venha o teu Reino..." de certa forma estamos dizendo... Senhor torna mais amplo e menos estreito o caminho que leva a Ti, traga salvação a mais e mais pessoas e não somente a poucos como quando do início do reino, para que a tua vontade seja cada vez mais realizada na terra (como também no céu).
Muitos serão chamados PARA SALVAÇÃO, e poucos escolhidos para PERDIÇÃO.
Hoje a oração correta é:
"Senhor ensina-me a amar a minha (única) esposa".
e ainda...
"Senhor faça crescer o teu Reino (venha o teu Reino) em todos os povos, tribos, línguas e nações."
domingo, 22 de novembro de 2009
Muitos são chamados, mas poucos escolhidos
"Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá prato e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos." Mateus 22.13-14
Para quem tem uma visão pessimista do futuro da história da humanidade, este versículo bíblico que contém a frase "poucos escolhidos" é clássico como forma de explicar que a minoria será salva, e a grande e absoluta maioria (muitos chamados) estará no inferno.
É ou não é assim?
Tanto dispensacionalistas quanto amilenistas, ambos pessimistas quanto ao futuro da história e ambos crentes de que o mundo está numa caminhada crescente rumo à apostasia total, ambos os grupos crêem piamente que o muitos aqui estaria falando dos que se perdem, e o poucos estaria falando dos que recebem salvação eterna.
Será que é isto mesmo?
Vejamos...
Jesus começa a ensinar por parábolas e diz:
"O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bordas de seu filho." Mateus 22.2
Ensina que o convite para participar das bodas do seu filho, foi primeiramente direcionado aos judeus (de sangue) que na ocasião eram o povo escolhido dentre todos os outros.
Entenda o convite para fazer parte das bodas, como sendo o convite para fazer parte do Reino (da igreja espiritual invisível - existente mesmo na velha aliança, mas ainda não conhecida por este nome).
"E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir." Mateus 22.3
Os servos que faziam o convite, leia como sendo os profetas do Velho Testamento pregando ao povo de Israel (de sangue).
Os judeus na sua maioria (enquanto povo) rejeitaram o convite.
"Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevado já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas. Eles, porém, não fazendo caso, foram um para o seu campo, outro para o seu tráfico; E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram." Mateus 22.4-6
Mesmo não ouvindo os profetas, Deus envia o próprio Filho Jesus Cristo; e mesmo a este, os judeus da época crucificaram e não reconheceram como sendo o Messias profetizado pelos profetas, Deus então ira-se e envia exércitos aliados e liderados pelos romanos para atacar e destruir Jerusalém no ano 70.
"E o rei, tendo notícia disto, encolerizou-se e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade." Mateus 22.7
Inicia-se então o período conhecido como história da igreja, e Deus envia então novos profetas e evangelistas para que preguem e estendam o convite para as bodas (fazer parte da igreja invisível) para todos os povos gentios, até então chamados de pagãos e que não faziam parte do povo escolhido (os judeus).
"Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes." Mateus 22.8-9
Este tempo de convite tem durado mais ou menos uns 2000 anos, e pessoas de todos os povos, tribos e nações, tem ouvido falar do Evangelho e estão sendo convidados a fazerem parte do Reino e se alegrar (bodas festivas) com o estabelecimento do Reino do Filho.
"E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa foi cheia de convidados." Mateus 22.10
Interessante começar a observar que o número dos participantes da igreja (da festa) vai se mostrando um número crescente, pois a festa foi ficando CHEIA de convidados...
"E o rei, entrando para ver convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste de núpcias. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu." Mateus 22.11-12
Importante fazer uma pausa aqui.
Meus irmãos dispensacionalistas crêem que as Bodas do Cordeiro (do filho) se darão em paralelo no céu, enquanto que aqui na terra se desenrola a Grande Tribulação, e que só participarão das Bodas do Cordeiro aqueles que estiverem preparados para o arrebatamento da igreja em dias próximos aos nossos dias de 2009.
Fica a pergunta.... Se para participar das Bodas do Cordeiro, precisa-se estar entre os arrebatados... Então como é que Jesus ensina que teve um que conseguiu entrar na festa sem estar trajado adequadamente? Será que ele teria sido arrebatado por engano........?
Voltando ao nosso texto.
Passados muitos anos, eu reputo que milhares e milhares, e a Bíblia mesmo me parece afirmar que serão mil gerações, o que dá uma conta de no mínimo 40 mil anos (numa vida de quarenta anos em média, multiplicado por mil gerações)...
"Lembrou-se da sua aliança para sempre, da palavra que mandou a MILHARES de gerações." Salmos 105.8
"Lembrai-vos perpetuamente do seu concerto e da palavra que prescreveu para MIL gerações." 1 Crônicas 16.15
Ao final deste MILÊNIO de gerações...
... Deus na pessoa de Seu Filho Jesus, retorna para terra e encontra os convidados preparados para o auge da festa, e dentre os muitos convidados (note que na ocasião da Segunda vinda do Senhor a festa estará CHEIA), vê UM homem que não estava trajado corretamente...
Paremos... Então a festa parece estar lotada de gente vestida corretamente, ou a festa parece estar lotada de gente vestida incorretamente?
O texto diz que quando da vinda do Senhor no fim dos tempos, UM só (dando a idéia de que serão poucos os não preparados e vivificados pela pregação do Evangelho) não estará corretamente vestido.
Então (IMPORTANTE NOTAR o contexto de onde sai o texto clássico do pessimismo escatológico quanto ao futuro da história), logo depois de o Senhor perceber que no auge da festa "um só" estava incorretamente vestido, ele diz:
"Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá prato e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos." Mateus 22.13-14
Qual a conclusão lógica da fala do Senhor?
1. Estaria falando ele que muitos são chamados PARA A PERDIÇÃO, mas poucos escolhidos PARA SALVAÇÃO?
2. Ou estaria falando ele que muitos são chamados PARA A SALVAÇÃO, mas poucos escolhidos PARA PERDIÇÃO?
Percebeu a diferença?
Se a festa estava lotada de convidados corretamente vestidos para as bodas e um só equivocadamente vestido, a interpretação correta é a 2, e por isto que somos otimistas quanto ao crescimento do Reino e o seu glorioso futuro.
E por isto especulamos que mesmo em números absolutos, num futuro de milhares de anos, e sendo vivificados em cada vez maior número, por ocasião do fim dos tempos, o número de verdadeiros eleitos e participantes da igreja neste mundo será muito, mas muito maior do que o número de perdidos, e por isto afirmo com otimismo que Jesus está a ensinar que muitos serão chamados para a salvação e poucos escolhidos para a perdição.
Se o correto fosse o inverso, muitos chamados para a perdição e poucos escolhidos para a salvação, então no auge da festa o Senhor teria que ter encontrado muitos vestidos incorretamente para a festa.
Seja você também um otimista!
Noutra reflexão futura explicarei o também aparente texto pessimista (só aparente) que diz:
"Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem." Mateus 7.13-14
Mas isto fica para outra ocasião.
Até lá, se Deus permitir.
Para quem tem uma visão pessimista do futuro da história da humanidade, este versículo bíblico que contém a frase "poucos escolhidos" é clássico como forma de explicar que a minoria será salva, e a grande e absoluta maioria (muitos chamados) estará no inferno.
É ou não é assim?
Tanto dispensacionalistas quanto amilenistas, ambos pessimistas quanto ao futuro da história e ambos crentes de que o mundo está numa caminhada crescente rumo à apostasia total, ambos os grupos crêem piamente que o muitos aqui estaria falando dos que se perdem, e o poucos estaria falando dos que recebem salvação eterna.
Será que é isto mesmo?
Vejamos...
Jesus começa a ensinar por parábolas e diz:
"O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bordas de seu filho." Mateus 22.2
Ensina que o convite para participar das bodas do seu filho, foi primeiramente direcionado aos judeus (de sangue) que na ocasião eram o povo escolhido dentre todos os outros.
Entenda o convite para fazer parte das bodas, como sendo o convite para fazer parte do Reino (da igreja espiritual invisível - existente mesmo na velha aliança, mas ainda não conhecida por este nome).
"E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir." Mateus 22.3
Os servos que faziam o convite, leia como sendo os profetas do Velho Testamento pregando ao povo de Israel (de sangue).
Os judeus na sua maioria (enquanto povo) rejeitaram o convite.
"Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevado já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas. Eles, porém, não fazendo caso, foram um para o seu campo, outro para o seu tráfico; E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram." Mateus 22.4-6
Mesmo não ouvindo os profetas, Deus envia o próprio Filho Jesus Cristo; e mesmo a este, os judeus da época crucificaram e não reconheceram como sendo o Messias profetizado pelos profetas, Deus então ira-se e envia exércitos aliados e liderados pelos romanos para atacar e destruir Jerusalém no ano 70.
"E o rei, tendo notícia disto, encolerizou-se e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade." Mateus 22.7
Inicia-se então o período conhecido como história da igreja, e Deus envia então novos profetas e evangelistas para que preguem e estendam o convite para as bodas (fazer parte da igreja invisível) para todos os povos gentios, até então chamados de pagãos e que não faziam parte do povo escolhido (os judeus).
"Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes." Mateus 22.8-9
Este tempo de convite tem durado mais ou menos uns 2000 anos, e pessoas de todos os povos, tribos e nações, tem ouvido falar do Evangelho e estão sendo convidados a fazerem parte do Reino e se alegrar (bodas festivas) com o estabelecimento do Reino do Filho.
"E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa foi cheia de convidados." Mateus 22.10
Interessante começar a observar que o número dos participantes da igreja (da festa) vai se mostrando um número crescente, pois a festa foi ficando CHEIA de convidados...
"E o rei, entrando para ver convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste de núpcias. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu." Mateus 22.11-12
Importante fazer uma pausa aqui.
Meus irmãos dispensacionalistas crêem que as Bodas do Cordeiro (do filho) se darão em paralelo no céu, enquanto que aqui na terra se desenrola a Grande Tribulação, e que só participarão das Bodas do Cordeiro aqueles que estiverem preparados para o arrebatamento da igreja em dias próximos aos nossos dias de 2009.
Fica a pergunta.... Se para participar das Bodas do Cordeiro, precisa-se estar entre os arrebatados... Então como é que Jesus ensina que teve um que conseguiu entrar na festa sem estar trajado adequadamente? Será que ele teria sido arrebatado por engano........?
Voltando ao nosso texto.
Passados muitos anos, eu reputo que milhares e milhares, e a Bíblia mesmo me parece afirmar que serão mil gerações, o que dá uma conta de no mínimo 40 mil anos (numa vida de quarenta anos em média, multiplicado por mil gerações)...
"Lembrou-se da sua aliança para sempre, da palavra que mandou a MILHARES de gerações." Salmos 105.8
"Lembrai-vos perpetuamente do seu concerto e da palavra que prescreveu para MIL gerações." 1 Crônicas 16.15
Ao final deste MILÊNIO de gerações...
... Deus na pessoa de Seu Filho Jesus, retorna para terra e encontra os convidados preparados para o auge da festa, e dentre os muitos convidados (note que na ocasião da Segunda vinda do Senhor a festa estará CHEIA), vê UM homem que não estava trajado corretamente...
Paremos... Então a festa parece estar lotada de gente vestida corretamente, ou a festa parece estar lotada de gente vestida incorretamente?
O texto diz que quando da vinda do Senhor no fim dos tempos, UM só (dando a idéia de que serão poucos os não preparados e vivificados pela pregação do Evangelho) não estará corretamente vestido.
Então (IMPORTANTE NOTAR o contexto de onde sai o texto clássico do pessimismo escatológico quanto ao futuro da história), logo depois de o Senhor perceber que no auge da festa "um só" estava incorretamente vestido, ele diz:
"Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá prato e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos." Mateus 22.13-14
Qual a conclusão lógica da fala do Senhor?
1. Estaria falando ele que muitos são chamados PARA A PERDIÇÃO, mas poucos escolhidos PARA SALVAÇÃO?
2. Ou estaria falando ele que muitos são chamados PARA A SALVAÇÃO, mas poucos escolhidos PARA PERDIÇÃO?
Percebeu a diferença?
Se a festa estava lotada de convidados corretamente vestidos para as bodas e um só equivocadamente vestido, a interpretação correta é a 2, e por isto que somos otimistas quanto ao crescimento do Reino e o seu glorioso futuro.
E por isto especulamos que mesmo em números absolutos, num futuro de milhares de anos, e sendo vivificados em cada vez maior número, por ocasião do fim dos tempos, o número de verdadeiros eleitos e participantes da igreja neste mundo será muito, mas muito maior do que o número de perdidos, e por isto afirmo com otimismo que Jesus está a ensinar que muitos serão chamados para a salvação e poucos escolhidos para a perdição.
Se o correto fosse o inverso, muitos chamados para a perdição e poucos escolhidos para a salvação, então no auge da festa o Senhor teria que ter encontrado muitos vestidos incorretamente para a festa.
Seja você também um otimista!
Noutra reflexão futura explicarei o também aparente texto pessimista (só aparente) que diz:
"Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem." Mateus 7.13-14
Mas isto fica para outra ocasião.
Até lá, se Deus permitir.
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